27 de março de 2017

Ele não bebe café

Ele não bebe café, mas tem as mãos suaves e quentinhas como de quem segura a caneca cheia do líquido escuro com as duas mãos.

Ele não bebe café, mas é agitado, ativo e animado como quem bebe xícaras e mais xícaras.

Ele não bebe café, mas sabe apreciar o passar do tempo como quem já viveu a vida toda e soube vive-la e hoje só a recorda nostálgico e agradecido.

Ele não bebe café, mas tem o beijo quente e com gosto de bom dia.

Ele não bebe café, mas enquanto eu bebo muitos penso no seu sorriso gostoso e leve e olhinhos contentes contando peripécias do trabalho, da família e/ou fazendo referências pop. 

2 de março de 2017

Deixa eu bagunçar você

Já é dezembro e o clima ainda não decidiu se esquenta ou esfria. Chuva sempre tem nessa época. Isso não é novidade. Tudo molha. Escorrem lágrimas dos meus olhos dia sim e outros dias também. É tristeza da ansiedade, do não saber controlar as vontades. Ou sei lá. Sei que as lágrimas escorrem. Hoje choveu pela manhã, fez um dia lindo em seguida e agora, de noite, chove e para, chove e para, chove e para. Agora parou, mas pode voltar. Nunca se sabe. Eu sei que eu não sei o que eu estou sentindo. É um misto de “fica comigo” misturado com um “foda-se você também e não me apareça mais aqui”. Mas no fundo, fundo é o caralho, aqui no raso mesmo, eu quero que fique. Que fique de mansinho, quietinho, fazendo carinho nas minhas costas com as pontas dos dedos. Só fique. A chuva não voltou. As lágrimas estão quase a escorrer. Que ansiedade de merda! Odeio te ter! Deixa eu bagunçar você? Pronto, voltou a chover.