26 de janeiro de 2017

Do inferno

Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo. Janeiro de 2017. O aplicativo climático do meu celular indica 37º. Segundo ESTV primeira edição, a máxima hoje na cidade será de 37º. No entanto, segundo meu aplicativo, a máxima hoje será de 39º. Não há nada que esteja tão ruim que ainda não possa piorar.

Ontem tomei cinco banhos. Todos com sabonete. Não pensei no meio ambiente e nem na minha pele. Só pensei no calor que estava sentindo. Já vivi tempos piores, mas todos são únicos para mim e reclamo de cada um deles como se fosse a primeira vez na vida que me sentisse no inferno. Ao menos o mês já está acabando. Logo mais é fevereiro. Verão não dura pra sempre. Ainda bem!

Sempre que chega essa estação dos sete demônios eu tenho certeza de que preciso morar em um lugar frio. E sei que no ES esse lugar não existe. Pois não tem uma cidade nesse estado divino que seja, minimamente, fresca durante todo o verão, e no resto só faça frio. Só que dessa vez eu quero amar Cachoeiro. Na verdade eu já amo, mas é difícil amar alguém, ou o que quer que seja, com a sensação térmica beirando os 40°.

Esse é seu maior defeito. Talvez o único, porque nessa temperatura eu fico tão hostil que detesto todo o resto, daí me cego por só ver defeitos. Desteto seus morros que bloqueiam o vento, mesmo sabendo que eles me permitem morar no alto e ter uma vista invejável da cidade.

Fico cega de raiva e esquecida. Porque sei que aqui não é o lugar mais quente do estado, nem do sudeste e nem do país. Colatina é pior, aceitem! O Rio continua muito mais quente que aqui e a praia só existe para quem tá de folga no mês de janeiro ou mora perto. E Belém do Pará continuará tendo o pior calor que já senti na vida. Um calor melado que dura 24h. E isso, queridos, não temos. Amém.