16 de abril de 2017

Das boas notícias

Todo dia é dia de boa notícia. Basta estar atento a elas. Por do sol esplendoroso é uma boa notícia. Alguém chegar com seu sorvete favorito em sua casa é uma boa notícia. Ter seu trabalho reconhecido e elogiado pelo seu chefe também é. Receber e-mail daquele amigo que não tem rede social e se recusa a usar WhatsApp é a melhor notícia do dia! Descobrir uma banda nova e se apaixonar é maravilhoso. O mesmo vale para um novo escritor.

A melhor notícia da semana foi eu perceber que não tem nada me incomodando. Não estou nervosa e nem ansiosa com nada. Não estou esperando por nada. Estou leve e tranquila. Perceber isso, confesso, me causou certo incômodo no primeiro momento. Como assim está tudo bem?! Sim, está tudo bem e não tem nada de esquisito no ar. O último mês foi tão estressante e cheio de quedas que ainda não me acostumei a estar de pé sem tropeçar.

Ao perceber como estou agora e o quanto isso é maravilhoso, decidi não refletir muito. Ouvi dizer que pensar incomoda como andar na chuva. E não estou a fim de ser aquela pessoa que pensa muito, o tempo todo, sobre cada palavra que ouve e analisa, analisa, analisa, até esgotar todos os possíveis significados.

Existir é sublime, ouvi dizer isso também. 

27 de março de 2017

Ele não bebe café

Ele não bebe café, mas tem as mãos suaves e quentinhas como de quem segura a caneca cheia do líquido escuro com as duas mãos.

Ele não bebe café, mas é agitado, ativo e animado como quem bebe xícaras e mais xícaras.

Ele não bebe café, mas sabe apreciar o passar do tempo como quem já viveu a vida toda e soube vive-la e hoje só a recorda nostálgico e agradecido.

Ele não bebe café, mas tem o beijo quente e com gosto de bom dia.

Ele não bebe café, mas enquanto eu bebo muitos penso no seu sorriso gostoso e leve e olhinhos contentes contando peripécias do trabalho, da família e/ou fazendo referências pop. 

2 de março de 2017

Deixa eu bagunçar você

Já é dezembro e o clima ainda não decidiu se esquenta ou esfria. Chuva sempre tem nessa época. Isso não é novidade. Tudo molha. Escorrem lágrimas dos meus olhos dia sim e outros dias também. É tristeza da ansiedade, do não saber controlar as vontades. Ou sei lá. Sei que as lágrimas escorrem. Hoje choveu pela manhã, fez um dia lindo em seguida e agora, de noite, chove e para, chove e para, chove e para. Agora parou, mas pode voltar. Nunca se sabe. Eu sei que eu não sei o que eu estou sentindo. É um misto de “fica comigo” misturado com um “foda-se você também e não me apareça mais aqui”. Mas no fundo, fundo é o caralho, aqui no raso mesmo, eu quero que fique. Que fique de mansinho, quietinho, fazendo carinho nas minhas costas com as pontas dos dedos. Só fique. A chuva não voltou. As lágrimas estão quase a escorrer. Que ansiedade de merda! Odeio te ter! Deixa eu bagunçar você? Pronto, voltou a chover. 

26 de janeiro de 2017

Do inferno

Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo. Janeiro de 2017. O aplicativo climático do meu celular indica 37º. Segundo ESTV primeira edição, a máxima hoje na cidade será de 37º. No entanto, segundo meu aplicativo, a máxima hoje será de 39º. Não há nada que esteja tão ruim que ainda não possa piorar.

Ontem tomei cinco banhos. Todos com sabonete. Não pensei no meio ambiente e nem na minha pele. Só pensei no calor que estava sentindo. Já vivi tempos piores, mas todos são únicos para mim e reclamo de cada um deles como se fosse a primeira vez na vida que me sentisse no inferno. Ao menos o mês já está acabando. Logo mais é fevereiro. Verão não dura pra sempre. Ainda bem!

Sempre que chega essa estação dos sete demônios eu tenho certeza de que preciso morar em um lugar frio. E sei que no ES esse lugar não existe. Pois não tem uma cidade nesse estado divino que seja, minimamente, fresca durante todo o verão, e no resto só faça frio. Só que dessa vez eu quero amar Cachoeiro. Na verdade eu já amo, mas é difícil amar alguém, ou o que quer que seja, com a sensação térmica beirando os 40°.

Esse é seu maior defeito. Talvez o único, porque nessa temperatura eu fico tão hostil que detesto todo o resto, daí me cego por só ver defeitos. Desteto seus morros que bloqueiam o vento, mesmo sabendo que eles me permitem morar no alto e ter uma vista invejável da cidade.

Fico cega de raiva e esquecida. Porque sei que aqui não é o lugar mais quente do estado, nem do sudeste e nem do país. Colatina é pior, aceitem! O Rio continua muito mais quente que aqui e a praia só existe para quem tá de folga no mês de janeiro ou mora perto. E Belém do Pará continuará tendo o pior calor que já senti na vida. Um calor melado que dura 24h. E isso, queridos, não temos. Amém.