21 de junho de 2016

Das lembranças

Na madrugada gelada ela fecha os olhos para tentar dormir enquanto pensa que já passou um ano da última vez que o viu. Naquela tarde quente numa segunda-feira na rodoviária.

Parece que estava sentindo que não o veria mais, porque o beijava em cada pedacinho do seu rosto para guardá-lo perfeito na memória. Encostava a cabeça em seu peito e sentia seu cheiro. Cheirava sua barba até perder o ar. No fundo ela sabia. Só não queria acreditar como se desacreditando pudesse afastar essa realidade.

Lembrou que ao entrar no ônibus sentiu que era a última vez que passava aquele perrengue da viagem e até ficou aliviada. Em seguida espantou o alívio dizendo: “mas não vir mais é não vê-lo mais”.

Ela não queria mais o transtorno da viagem e nem voltar àquela cidade, mas o queria.

Ele fazia tudo valer à pena.

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