13 de março de 2016

Seca pimenteira

Estava aqui tentando entender de onde vem tanta tristeza. Porque não faz sentido ela permanecer em mim há tanto tempo. E foi aí que entendi (ou acho que entendi). É daqui! É dessa cidade! Niterói e Rio (porque sim, é uma coisa só) tem uma energia ruim que suga toda a minha. Tipo seca pimenteira mesmo. Desse nível! 

Quando vim pra cá da primeira vez, em 2012, vim de coração aberto. Foi esse o problema: me abri demais e me protegi de menos. Estava tão disposta a tudo e a viver tudo que esqueci de ser arredia e retraída. Ou seja, não tive malícia. 

E foi assim que tudo o que há de ruim aqui tomou conta de mim. É como se uma sombra negra não saísse do topo da minha cabeça. Andasse sempre comigo por todos os cantos. Só me dá descanso quando saio dessa região. Basta um fim de semana em Florianópolis, por exemplo, para eu achar que a vida pode ser bela novamente e voltar a ver leveza e ter vontade de ficar. Porque estando aqui eu só consigo ter vontade de ir embora. 

Não precisa ser para Florianópolis (quem está fora do sul sempre acha que o sul é sonho... nem é!). Pode ser o inferno mesmo, que já é mais leve que aqui. Não, isso não é recalque. Até porque, se quem me lê for procurar o real significado de recalque vai saber que não é isso mesmo!

Cachoeiro de Itapemirim é melhor que aqui. É, é sim! Vitória foi a melhor cidade que morei na vida, tenho até medo de voltar por saber que nunca mais será a mesma coisa. Belo Horizonte, ao contrário daqui, tem a melhor energia do mundo, ao menos para mim. Sempre penso que um dia tenho que morar em BH. Hoje eu entendo o meu real problema com Florianópolis, e por entender, já sei que posso voltar sem problemas em ficar. E as cidades dos interiores que conheci... ficaria em quase todas. 

Hoje Lucas me disse que conhece pessoas que perceberiam esse lance da energia aos 80 anos. E que é muito bom eu já ter essa sensibilidade. Se a energia daqui está matando a minha, é melhor ir embora mesmo. 

E aqui eu fico, feito presidiária, riscando na parede os poucos dias que faltam para eu ir embora. 

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