4 de dezembro de 2015

Cidadezinha

Tudo o que quero na vida é morar em uma cidade pequena e plana para ter como meio de transporte uma bicicleta Monark Tropical rosa. A mais moderna, é claro! Gosto do design vintage, não de velharia. 

Vi fotos de Garopaba (SC) no Google e me apaixonei. Nunca fui lá, pode ser que eu deteste a cidade e ela seja cheia de pessoas conservadoras defensoras da família tradicional brasileira. No entanto existe uma esperança. A cidade tem mato e praia. Perfeita! É pequena e plana. Só amor! E dá pra eu ter a casinha dos meus sonhos. Não é possível que em uma cidade dessas as pessoas não sejam de boa. Devem ser. Eu quero muito que seja. 

Pode ser que eu nunca vá para lá. Pode ser que eu nem conheça essa cidade nunca na vida. Mas só em saber que ela existe, meu coração já fica quentinho. Pois agora eu já sei que o lugar perfeito existe, tem nome e fica no meu país. 

21 de novembro de 2015

- Espera ele chegar lá primeiro.
- Como assim chegar lá? Já vai fazer um ano que ele foi?
- Uai, eu demorei 3 anos para dizer: pronto! agora cheguei em Vitória.

Aí me dei conta de que desde que me mudei para Niterói eu ainda não cheguei. 

20 de novembro de 2015

Eu sempre choro quando rezo. Acho que isso acontece porque sinto que Deus me escuta e me entende. 

Minha fé é complicada. Sou cética para quase tudo. Acredito em Deus, Jesus, Maria e nos santos, mas não acredito na alma, por exemplo. Ou não a levo à sério, que também é uma forma de não creditar. Não acredito em espíritos e nem em reencarnação, apesar de querer muito acreditar no destino. Imagina que lindo seria?! 

Tenho minhas tretas com Deus, claro. Fico puta quando não me escuta ou parece que não me entendeu. Porque não existe outra explicação. 

Mas parece que nem tudo é para se entender, né?!

Hoje eu chorei! Tive um papo tão sério que chorei. Foi de coração. Esse coração jovem e já tão cansado. 

É sério, Deus! Eu preciso daquela sensação de alívio imediato de novo. 

18 de novembro de 2015

Enquanto o sono não vem

O que me angustia é pensar na possibilidade de não nos vermos nunca mais.

Eu não acredito em espíritos, não preciso me preocupar com eles.

Isso foi tiro?! Ao menos aqui dentro estou protegida.

E se um bandido entrasse aqui em casa? Onde eu poderia me esconder?

Será que eu vou dar conta do doutorado até o fim? Caraca, são quatro anos! O quanto a minha vida terá mudado nesse tempo?

Tem dias que tudo o que preciso é deitar no seu peito enquanto você acaricia a minha cabeça.

Sinto a sua falta. Tenho estado muito sozinha e percebo o quanto você faz falta, mesmo que distante.


Preciso dormir. Eu não posso ter outra noite de insônia. Hoje eu já passei mal pela manhã por conta do cansaço. 

Preciso pensar mais em mim. O tempo todo. Só em mim. 

16 de outubro de 2015

Do divertimento

Acho que nada me diverte mais, morando em Niterói, que andar de barca. Não tem museu, boemia, praia, ponto turístico, passeio no centro que me divirta mais que andar de barca.

E se for a barca nova então... Nossinhora! Bão demais! 

12 de setembro de 2015

Das distâncias

Quis tanto ficar longe de tudo e de todos que hoje eu só tenho a distância para oferecer.

É como se eu provasse do meu próprio veneno, mesmo sem saber se isso é veneno.

Saudade já é meu sobrenome. Só sei sentir saudade. Faço saudade também, eu acho.

Optei por não parar em lugar nenhum e acabei deixando todo mundo para trás. Quando percebi, estava sozinha.

Não fui a única. Meu amigos também foram cada um para um canto. Todos frutos do deslocamento. Isso é lindo e doloroso. Nunca estamos perto, nunca cansamos um do outro. Cansamos é de sentir falta. Cansamos da saudade. Aí temos que dar um basta em um sentimento que só tem beleza. Na distância a leveza se torna peso.

Queria pedir para o tempo parar e eu ter todos pertinho para sentir a felicidade, mas só consigo fazer isso na memória e na imaginação.

Ao menos as lembranças são boas. São as melhores.

25 de agosto de 2015

Eu não sou um peso.

23 de agosto de 2015

Acabou

Acabou. Não tem mais beijo, nem abraço, nem carinho, nem toque nos dedos nos intervalos enquanto comemos, nem troca de olhares e sorrisos, carinhas fofinhas, bom dia, boa noite, passei pra deixar um beijinho, saudade gostosa, frio na barriga, dor de barriga, saudade que dói, insegurança, medo, ansiedade que maltrata, taquicardia. Acabou.

28 de julho de 2015

Da superficialidade


Minha melhor amiga não me conhece. Definitivamente ela não me conhece. Aliás, acho que no fundo (no fundo porra nenhuma, no raso mesmo) ninguém conhece ninguém. Todos os dias ela me vem com dicas que não são para mim, mas para ela. Diz coisas que devo fazer (mesmo eu já fazendo) e o que não devo fazer (mesmo eu nunca tendo feito). Diz que tenho que parar de ser de um jeito (o que realmente não sou) e ser mais assado (eu já sou o assado). Diz que tenho que fazer coisas por mim (curiosamente todo mundo fala isso para todo mundo), mas nunca se perguntou (e nem me perguntou) o que realmente seria bom para mim e se talvez eu já esteja fazendo isso.

Minha melhor amiga não me conhece, não me ouve e não presta atenção em mim. Minha melhor amiga me diz coisas que ela precisa ouvir em voz alta porque são coisas que alguém deveria dizer a ela. Não são coisas para mim.


Minha melhor amiga é todo mundo e me trata como todo mundo trata todo mundo. 

29 de junho de 2015

Do se

Será que se morássemos pertinho um do outro seria gostoso assim? Será que só é gostoso porque nos vemos pouco? Nos vemos pouco e sentimos saudade. No dia seguinte eu já sinto saudade de você em minha cama (ou de estar na sua), de seus dedos tocando os meus nos intervalos enquanto comemos. Mesmo tendo tempo para as minhas atividades do ócio, mesmo gostando da minha necessária solidão, sinto falta do seu abraço na cama. Sinto falta do cheiro entorpecente da sua barba e de como ela pinica deliciosamente os meus lábios.

É triste aqueles momentos em que a ficha cai e me dou conta do quanto estamos longe um do outro.

Se estivéssemos perto talvez você fosse mais um dos caras que conheci, gostei e deixei de ver porque a vida na rotina é rápida e superficial. É rasa.

Talvez dê certo exatamente porque reservamos um para o outro os nossos poucos momentos de dedicação à felicidade e à leveza. 




2 de maio de 2015

Da falta

Uma vez disse que meu lugar no mundo era Jardim da Penha (porque todo mundo tem seu lugar no mundo e blablabla). A verdade é que hoje não sei mais se o tenho.

Passei a ter Vitória como um lugar estranho. Não mais meu. E penso o mesmo sobre o bairro. Jardim da Penha não é mais meu.

Já não tenho mais o meu lugar e nem sei se um dia o terei. Não me sinto acolhida e abraçada em mais lugar nenhum. Não há lugar que me conheça. Mudei muito nos últimos meses.

Ao mesmo tempo que essa sensação é pesada é também libertadora. Sinto-me livre tanto quanto sozinha. Agora tenho todos os lugares e não tenho nenhum.