2 de setembro de 2014

Do amor

Todo mundo é filho da puta. Cabe a você ser filha da puta também.

Foi isso que meu amigo Pedro me disse uma vez e nunca mais esqueci. Tal frase se aplicava ao amor. Tão idolatrado sentimento e que cada vez mais desacredito que exista.

Desacredito porque vejo muitos se relacionando por inércia. Porque não podem assumir socialmente que estão sozinhos, então aceitam “o que tem pra hoje”. E o comodismo é facilmente confundido com amor. Não está bom, mas também não está ruim. Então não faz sentido sair do lugar. O medo da solidão é maior que qualquer felicidade idealizada. E o que é a felicidade, afinal?!

Acreditei sim, no amor que dói. Achava que tinha que sofrer para ser real. Eu devia gostar mesmo de me ferir para pensar assim. Eu era mais sugada que acrescentada. Isso não podia ser amor.

Hoje, o que tenho, o que sinto, é um amor nunca concretizado, nunca declarado. Um amor de quem só quer o bem da pessoa amada. Confesso que tenho sentido medo de nunca poder viver esse amor e o perder para sempre nessa sociedade que acha que casamento é uma obrigação pela qual todos nós devemos passar.

A dificuldade que tenho em dizer o que sinto é por já ter me fodido muito dizendo e ver quem diz passando pelo mesmo. Considero o amor um sentimento de merda e queria muito nunca passar por isso.


E aí a merda seria nunca saber que sentimento é esse.