26 de abril de 2014

Da paixão persistente

Eram muitos os desencontros. Quando alguma coisa acontecia, era por força de vontade e insistência dela. Uma vez, apenas uma vez, ela sentiu que ele tomava a iniciativa. Foi algo tão raro que demorou a entender. Houve um encontro. Depois, só desencontros. Pareciam aqueles casais estranhos de curta-animação-cult-tosco. Mas ela não desistia. Sabia que um dia os dois ficariam juntos e que esse dia não tardaria muito, pois ambos não tinham tempo. Esse amor era pra já.

Tinham suas diferenças. Era nítido quando o “defeito” de um incomodava o outro. Eles não sabiam disfarçar. Não era a intenção, mas eles se sentiam afugentados um pelo outro com suas revelações. Era necessário uma retomada de fôlego para uma nova aproximação e começar tudo de novo. Por vezes esse intervalo demorava mais de um ano.

E quando já não acreditavam mais terem a sorte de um amor tranquilo com sabor de fruta mordida, olharam-se nos olhos, sorriram e deram-se as mãos. 

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