10 de março de 2014

Mais do mesmo

          Eu não queria falar de despedidas. Não gosto das despedidas. Gosto de ir embora sem dar tchau. Quero falar dos retornos. Do eterno ir e vir. Das alegrias e dificuldades que isso gera. Como diz o ditado: um rio não passa duas vezes em um mesmo lugar. É assim nos retornos também. “Tudo o que se vê não é igual ao que a gente viu há um segundo, tudo muda o tempo todo no mundo”. O retorno é sempre novo. Felizmente (ou infelizmente, dependendo do ponto de vista), as coisas não permanecem em um mesmo lugar. Tudo muda e as pessoas também. O tempo se encarrega de levar cada um para um canto diferente da vida. Mesmo ao seu lado, a pessoa que você sempre conheceu se transforma em total desconhecida. Somos seres líquidos, ainda que seu signo seja de terra (e você acredite nisso).

          Retornar para casa e acreditar em um retorno futuro de onde estou partindo tem ocupado a minha mente nos últimos três dias. Confesso que, ao escrever isso, estou considerando o retorno para cá e pensando se não seria melhor um ir para outro lugar. Respirar o novo, novo de tudo, é muito bom. Dá um medo danado, mas é muito bom! O retorno também dá medo, mas tem o seu lado cômodo. Ao menos a cidade eu já conheço. Ela pode ter mudado um pouco, mas eu ainda a conheço. Sei de suas dificuldades, de suas facilidades, o que me interessa, o que não faço questão, o que precisa ser conhecido e o que é necessário ser conquistado. Novas histórias podem acontecer ou podem recomeçar, o que não deixa de ser novo. Os recomeços nunca são iguais.


          Não quero falar de despedida, não que falar de recomeços e nem de retornos. Mas estou me despedindo, estou retornando e sem saber se isso é um recomeço. Não é que aqui “já deu o que tinha que dar”. Houve uma interrupção no meio do caminho e eu tive que desmontar o acampamento antes da hora. Acredito que todas as mudanças são sempre para o melhor. Elas doem quando vem de forma inesperada, no entanto nos surpreendem para o bem. Não sei o que será a partir de agora e nem sei se quero mesmo saber. Às vezes é bom perder o controle do amanhã (ele não tem controle, mas eu gosto de imaginar que eu tenho o domínio de tudo). Só sei que ciganos não ficam muito tempo em um mesmo lugar. É da natureza deles. 

Um comentário:

Getulio Siena disse...

Amiga Cinthia internauta, penso: retornar é somente um de ponto de vista, de coordenadas geográficas. Se eu já estou nalgum destino, então não estou a voltar. Apenas em nova jornada. Como bem disse e endosso "não há recomeço" pois a cidade e suas pessoas alteraram seu padrões, de um jeito, forma, ou costumes. Então, acho eu ser uma nova viagem, nova ponte, novas águas.