28 de fevereiro de 2014

Já é carnaval

          Já é carnaval! É o momento de colocarmos a máscara da nudez, aquela que usamos para nos despir da vergonha, da timidez e colocarmos a armadura da coragem, da vontade, pois ser livre, se sentir livre, é bom demais!

          Não vai ter Copa, mas vai ter carnaval. Porque só no carnaval todos, ricos e pobres, se sentem iguais. De máscara todo mundo é igual da mesma forma como de perto ninguém é normal.

          São poucos dias para descarregar todo o peso, todas as mágoas, todo o stress de um ano de trabalho, dores, perdas e conquistas também. Poucos dias para sermos quem quisermos e não ser ninguém ao mesmo tempo. Poucos dias para darmos um grito de liberdade que logo acaba. Tudo volta ao normal. Ou, como muitos dizem, finalmente o Brasil começa a funcionar.

          Como diz um ditado tibetano: se um problema tem solução, não tem por que se preocupar com ele, e se não tem solução, a preocupação é inútil. Então para de chorar pela burocracia que não anda, pois a culpa não é de uma festa que existe há séculos. Se joga na serpentina, filho, e seja feliz fantasiado ou não, mas seja feliz. A quarta-feira de cinzas vem logo após a terça-feira de carnaval, pois aqui o sagrado e o profano sempre andaram de mãos dadas. Não é de hoje! Quem não gosta de carnaval, suba para as montanhas. Eu também não gosto de muita gente e nem por isso reclamo da existência delas.


          Já quem gosta... se joga! Tem bloco, fantasia, confete e serpentina para todos e todas. Caiu na rede, é peixe. Vem todo mundo sassaricar. Quero muitos risos, muita alegria e mais de mil palhaços no salão. Mamãe, eu quero! E beijinho no ombro pra quem fecha com o bonde. 

21 de fevereiro de 2014

Dos conselhos que não pedimos

Não é assim que funciona, você tá fazendo errado. Tem que desprezar o cara para ele te querer. – Mas você não acha que assim ele vai desistir de mim? Porque quando um cara me despreza eu desisto dele. – Não! Tem que ser igual ao guia da revista Capricho que eu aprendi quando tinha 13 anos. Vai por mim, é assim que dá certo!

Menina, mas você come demais! Olha, não se iluda, na sua idade eu pesava 48 kg, não é, gente? – Ééééééé. – Nossa, eu desfilava de biquíni em carro aberto. Você tinha que ver, todo mundo me admirava. – 48 kg?! Nossa, tia, ninguém pesa isso hoje em dia, não. Eu acho até que nasci pesando isso, haha. Que bom que você foi feliz desfilando em carro aberto, pois saiba que estou muito feliz aqui comendo meu pão. 

A vida não é só dinheiro, você tem que reclamar menos da falta dele. Reclamando assim, você acaba atraindo energia negativa do universo. Tem que ter bons pensamentos para atrair coisas boas... diz a blogueira milionária desde o nascimento e que não faz ideia de quanto custa a manteiga francesa de fábrica, quanto mais o pão francês da padaria da esquina que ela come no café da manhã em uma mesa lindamente posta, antes dela acordar, pela empregada da casa que ela nem sabe de onde veio e finge que não sabe que a explora.

Nossa, você vive de cabelo curto, por que não deixa crescer?

Nossa, você nunca teve os cabelos curtos, por que não corta?

Estudando pra concurso ainda? Mas você já tem emprego, o que mais você quer?

Estudando pra concurso? Por que não procura um emprego de uma vez invés de ficar aí achando que estudando assim vai conseguir alguma coisa?

Estudando? Pra quê? Faz um curso técnico que tá dando mais dinheiro que qualquer curso superior por aí. Como assim é preciso gostar do que faz? Gosto não enche barriga, não paga as contas. Você vive de sonho.


Ainda persistindo no que você acredita? Por que não desiste?

9 de fevereiro de 2014

Até agora

O olhar dele é penetrante e o sorriso malicioso. É simpático, inteligente, atencioso. Chega junto até demais, mas é bom. É bom e vou gostando, me encantando, me envolvendo. São beijos longos, puxadas de cabelo, a mão na cintura, pega com força. Gostei, me encantei, me envolvi. Tudo se repete e repete e repete. Depois desaparece. Dissimulação, traição, dissimulação. Sinto raiva, tristeza, raiva de novo. Desprezo. Esqueço. Aparece de novo. O olhar é penetrante, sorriso malicioso, é simpático, inteligente e atencioso. Sou fácil. Some de novo. Sinto tristeza, raiva, muita raiva, desprezo. Esqueço. Ele é frio, infantil e ofensivo. Sinto raiva, sinto pena, sinto vergonha de mim mesma. Descubro, confirmo e odeio. Sinto raiva e desprezo. Esqueço. Sou dissimulada, faço de conta que não sei nada e não sinto nada, sou amiga. Fico amiga. Aparece de novo. Olhar penetrante, sorriso malicioso, simpatia, inteligência, carinho e diversão. Repete e repete e repete até eu perder as contas. Suspira e vai embora. Dissimulação, traição e dissimulação. Choro. Tristeza infinita. Raiva. Pena de mim mesma. Quero esquecer. É simpático e inteligente. Quero esquecer. Dissimulação. Quero esquecer. 

7 de fevereiro de 2014

Das mudanças

          Por anos, a cada mudança que me ocorria (fosse revolta, fosse alegria), eu cortava os cabelos e retocava o vermelho. O vermelho, inclusive, representava uma fase de mudanças constantes.

          As tais eram tantas que, durante os cinco anos de vermelho no cabelo, mudei para castanho escuro, castanho acobreado e chocolate algumas vezes. Como não poderia me mudar de cidade, mudava a cor e o corte do cabelo. No entanto, no mês seguinte eu já voltava ao ruivo.

          Se terminava um namoro ou passava um ficante para trás (ou quando eu era passada para trás) retocava o vermelho ao som de “Cabidela” do Mombojó. E ficava tudo vermelho de novo... com os olhos pegando fogo.  

          Quando me cansei do vermelho, quando vi que tanto peso representado na tintura dos meus cabelos não me representava mais, passei a cortá-lo sem dó. De dois em dois meses. Já ocorreu de eu cortar duas vezes em um único mês. E tinha que ser despontado, desfiado, desconectado. Quanto mais fora do convencional, melhor.

          Até que chegou o dia que desfiei tanto os meus cabelos que não me reconheci ao me olhar no espelho. Queria parecer moderna, mas só enxergava uma perua velha que, apesar do tempo, ainda não havia se encontrado. Eu sabia o que era e sabia que eu não era aquilo que via. Assim que o cabelo cresceu um pouco, cortei para tirar metade do desfiado. Cresceu mais um pouco e tornei a cortar, tirando, assim, qualquer vestígio do passado.


          Hoje tenho os cabelos normais (ainda na altura dos ombros porque demora a crescer), com corte normal e com luzes como mais uma na multidão e, aos poucos, vou deixando de me esconder de baixo de tanto pano. Quando as mudanças passam a ser geográficas, as físicas tornam-se desnecessárias.