28 de janeiro de 2014

Da poesia

Ivan me disse que a poesia é a única modalidade da escrita que lê o leitor ao invés de ser lida por ele. É verdade. Sempre que leio alguma poesia me sinto lida de uma forma que eu jamais saberia me descrever ou descrever qualquer sentimento que eu tenha.

Álvaro de Campos, por exemplo, dói-me o peito com tudo o que me diz e no fim me abraça como se me confidenciasse: eu entendo a sua dor. E viver é realmente um tédio.

Leminski, com todo o seu humor, me mostra que a dor tem sua graça. Não precisa ser a vida tão desgraçada.

Drummond percebe a sutiliza da vida, das pessoas, das ruas das cidades que passei como minhas retinas. Uma pena elas não saberem dizer tudo que veem e como veem. Nem as fotos que faço transmitem o que vejo.

Chico Buarque, na poesia de suas músicas, fala de amor, do amor que sinto, aquele quase sempre nunca correspondido, o que eu preciso entender. Não para deixar de sofrer, mas para saber que o sofrimento faz parte. Uma hora o tempo leva... e outro ocupa o lugar deixado.

Vinícius me confunde. O safado me faz acreditar que pouco amor basta e que não ser correspondida faz parte. Sendo assim, o melhor é cair de cabeça no que tem pra hoje porque no amanhã só podemos pensar amanhã. Mas o amanhã vem, Vinícius, e vem sempre acompanhado do vazio. Preciso aprender a não te dar ouvidos.


É inútil querer escrever qualquer coisa depois que leio algum desses poetas ou outro qualquer. Não consigo dizer mais nada, pois tudo já foi dito. E de um jeito que eu jamais saberia dizer. 

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