3 de janeiro de 2014

Da despedida

          Parece que foi ontem que cheguei a Niterói com todo o peso do mundo no estômago para fazer a primeira prova do processo seletivo do mestrado da UFF. Não sabia se queria passar lá e viver coisas novas ou se queria passar na Ufes mesmo e permanecer na minha zona de conforto. Só sabia que queria passar em algum lugar. Tanto fazia. Eu não estava – eu não me sentia – em condições de exigir e nem de escolher muita coisa.

          A cada passo na cidade eu me sentia transportada para o ano de 2009, quando fui a Niterói pela primeira vez para mais um ENEL em minha vida (eu não sabia, mas aquele seria o último). Naquele ano havia toda uma pressa, um frenesi, para que tudo fosse visto, sentido e vivido, pois eu só tinha sete dias para muita coisa. Em 2011 não, queria a demora da degustação. E por saber que teria mais tempo, fiz muito menos em quase dois anos que fiz em sete dias.  

          Foram algumas idas e vindas exaustivas para, finalmente, em março de 2012 eu me mudar para lá. Havia passado no tal mestrado.

          No início eu sentia uma mistura de deslumbramento e medo do novo, para depois tudo isso se transformar em uma enorme preguiça. Niterói é bonita sim, mas acaba aí. O que vale à pena mesmo é a UFF e tudo o que ela representa para mim.

          Não fiz incontáveis amigos, até porque nunca fui disso. Sou do tipo “poucos e ótimos amigos”. E são esses que tornam a minha despedida bastante difícil. Dois anos é muito pouco para definir sentimentos e saber a falta que as pessoas vão fazer. Foi triste ter demorado tanto tempo para saber que eu poderia sim confiar nessas pessoas e que as mesmas só queriam o meu bem. Sempre quiseram. Mesmo que de um jeito diferente do esperado pela sociedade (e a sociedade lá sabe o que espera?).

          É a primeira vez que moro em uma cidade que me aborrece, mas que não quero ir embora por não querer ficar longe dessas pessoas. O que sinto é medo. Medo do esquecimento. Medo de não voltar. Medo de nunca mais sentir esse sentimento intenso que me é tão raro, e por isso mesmo tão caro. Medo de não ser mais.


          Que a distância e o tempo não nos apague da memória, que é falha e traiçoeira, e que a lei natural dos encontros nos permita os reencontros. 

2 comentários:

candida_lua disse...

<3

Carol Ornellas disse...

O eterno retorno do medo do fechamento de ciclos, acho que seremos sempre tomados por essa imensidão que é o inesperado do dia seguinte.
O que eu posso dizer é força! Pois tenho certeza que beleza não faltará em seu caminho.
Beijos!