18 de dezembro de 2014

Chimarrão

O chimarrão, em mim, faz efeito contrário. Era para eu ficar acordada, mas a bebida me acalanta o sono. Sono gostoso. Desses que da prazer em dormir. Não o da obrigação, porque tem que estar acordada no dia seguinte para os compromissos da vida. Acho que me acalanta tanto porque me faz lembrar ele. Faz-me recordar dos seus abraços protetores quando íamos dormir. Dos beijos doces que me dava até pegarmos no sono. O sono mais tranquilo e gostoso porque era ao lado dele.


A verdade é que o chimarrão me acalma, traz-me a memória afetiva que gosto de ter. E como ele, agora, só está na memória, o sono vem para ver se faz sonho. 

14 de novembro de 2014

Sobre mudar

Descobri que também mudo. Odeio mudanças, mas também mudo.


Mudei de ideia hoje. Na verdade, desde domingo que pensei na possibilidade da mudança. Não estava mesmo segura com a ideia que tive, com o roteiro que tracei. Acho que o fiz por ser mais cômodo, do tipo que todo mundo faz. E agora pensei: por que não fazer aquele outro roteiro que quero tanto faz anos, mas ainda não criei coragem? É agora! 

6 de novembro de 2014

A felicidade mora longe.
Ela se clandestina da gente.
Quem sabe um dia bate à nossa porta?!

2 de setembro de 2014

Do amor

Todo mundo é filho da puta. Cabe a você ser filha da puta também.

Foi isso que meu amigo Pedro me disse uma vez e nunca mais esqueci. Tal frase se aplicava ao amor. Tão idolatrado sentimento e que cada vez mais desacredito que exista.

Desacredito porque vejo muitos se relacionando por inércia. Porque não podem assumir socialmente que estão sozinhos, então aceitam “o que tem pra hoje”. E o comodismo é facilmente confundido com amor. Não está bom, mas também não está ruim. Então não faz sentido sair do lugar. O medo da solidão é maior que qualquer felicidade idealizada. E o que é a felicidade, afinal?!

Acreditei sim, no amor que dói. Achava que tinha que sofrer para ser real. Eu devia gostar mesmo de me ferir para pensar assim. Eu era mais sugada que acrescentada. Isso não podia ser amor.

Hoje, o que tenho, o que sinto, é um amor nunca concretizado, nunca declarado. Um amor de quem só quer o bem da pessoa amada. Confesso que tenho sentido medo de nunca poder viver esse amor e o perder para sempre nessa sociedade que acha que casamento é uma obrigação pela qual todos nós devemos passar.

A dificuldade que tenho em dizer o que sinto é por já ter me fodido muito dizendo e ver quem diz passando pelo mesmo. Considero o amor um sentimento de merda e queria muito nunca passar por isso.


E aí a merda seria nunca saber que sentimento é esse. 

14 de maio de 2014

Tudo o que queria era uma piscadela cúmplice. Não mais o concordar por concordar ou o prazer em discordar. Como se ser do contra fosse interessante.

O gosto da adolescência morrera no tempo. Era hora de crescer e procurar quem havia feito o mesmo. 

26 de abril de 2014

Da paixão persistente

Eram muitos os desencontros. Quando alguma coisa acontecia, era por força de vontade e insistência dela. Uma vez, apenas uma vez, ela sentiu que ele tomava a iniciativa. Foi algo tão raro que demorou a entender. Houve um encontro. Depois, só desencontros. Pareciam aqueles casais estranhos de curta-animação-cult-tosco. Mas ela não desistia. Sabia que um dia os dois ficariam juntos e que esse dia não tardaria muito, pois ambos não tinham tempo. Esse amor era pra já.

Tinham suas diferenças. Era nítido quando o “defeito” de um incomodava o outro. Eles não sabiam disfarçar. Não era a intenção, mas eles se sentiam afugentados um pelo outro com suas revelações. Era necessário uma retomada de fôlego para uma nova aproximação e começar tudo de novo. Por vezes esse intervalo demorava mais de um ano.

E quando já não acreditavam mais terem a sorte de um amor tranquilo com sabor de fruta mordida, olharam-se nos olhos, sorriram e deram-se as mãos. 

17 de abril de 2014

Ela

Mesmo quem a conhecia, sabia-a pouco. Ela não se mostrava quase nunca. E mesmo quando, raras vezes, o fazia, era um nada. Não gostava de expor o que sentia muito menos que sentia. Vestia uma capa de frieza e indiferença para esconder a paixão doída que sentia pelo cara que nunca corresponderia seu sentimento.  Acreditava que fazer de conta que não sentia nada era menos dolorido. Sofrer com plateia é pior. Embora não tivesse o sonho cego de um casamento e o menor desejo de ser mãe, ela se apaixonava e também ansiava por companhia. Era humana, apesar de fazer de tudo para não ser. Não sabia jogar. Até tentava, mas sempre metia os pés pelas mãos. Então desistia. Não gostava de competir. Abrir mão e sair de cena era mais fácil. Sempre optava pelo caminho mais fácil. Era preguiçosa. Para não sofrer mais, escolheu ficar sozinha. E sofria.

4 de abril de 2014

Dos prazeres

Muitas coisas me dão prazer na vida. Apesar dos pesares, eu tenho certo prazer em viver. Não o tempo todo, mas quase todos os dias. Dormir, comer, conversar, viajar, namorar, consumir, beber, dentre outras coisas, me dão muito prazer. Sem ordem de preferência. Mas o principal, sem pieguice, é ler. Não estou falando em ler, simplesmente, mas de Literatura. Arrogância à parte, leitor de jornal e revista apenas, não é Leitor.

Em janeiro conheci Kawabata. Yasunari Kawabata, escritor japonês, Nobel de Literatura em 1968, nascido em Osaka em 1899, morto em 1972. Li A casa das belas adormecidas e me encantei. Nunca havia visto tanta delicadeza e docilidade no trato de um tema tão pesado. Como diz Ivan, amigo que me apresentou Kawabata, “parece um origami ao vento”. Em seguida li Kioto e comprei O país das neves, ainda não lido. Há duas semanas comprei também Beleza e tristeza seduzida pelo título. Infelizmente tenho que priorizar leituras mais urgentes e o Oriente ficou para depois.

Esse prazer da leitura, de descobrir novos autores e o encanto que eles podem causar, o redescobrir os já queridos e continuar me encantando, é uma das poucas coisas que me dão prazer em viver. Minha paixão pela Literatura é tamanha, que quero viver apenas disso. Se todos têm que trabalhar, que o meu seja com Literatura, pois todo o resto é fardo.

Claro que gosto de outros escritores também. Vivi um casamento de cinco anos com García Márquez, com todas as alegrias e problemas que um casamento acarreta. Não me cansei do colombiano, mas esgotei. Fernando Pessoa foi meu amante e permanece sendo. Creio que sempre será. No mais, vivo de casos por aí. Afinal, tem muita gente boa a ser lida.

Em 2014 não quero me casar, apenas amar. Sem pressa. Desde janeiro venho amando Kawabata.

10 de março de 2014

Mais do mesmo

          Eu não queria falar de despedidas. Não gosto das despedidas. Gosto de ir embora sem dar tchau. Quero falar dos retornos. Do eterno ir e vir. Das alegrias e dificuldades que isso gera. Como diz o ditado: um rio não passa duas vezes em um mesmo lugar. É assim nos retornos também. “Tudo o que se vê não é igual ao que a gente viu há um segundo, tudo muda o tempo todo no mundo”. O retorno é sempre novo. Felizmente (ou infelizmente, dependendo do ponto de vista), as coisas não permanecem em um mesmo lugar. Tudo muda e as pessoas também. O tempo se encarrega de levar cada um para um canto diferente da vida. Mesmo ao seu lado, a pessoa que você sempre conheceu se transforma em total desconhecida. Somos seres líquidos, ainda que seu signo seja de terra (e você acredite nisso).

          Retornar para casa e acreditar em um retorno futuro de onde estou partindo tem ocupado a minha mente nos últimos três dias. Confesso que, ao escrever isso, estou considerando o retorno para cá e pensando se não seria melhor um ir para outro lugar. Respirar o novo, novo de tudo, é muito bom. Dá um medo danado, mas é muito bom! O retorno também dá medo, mas tem o seu lado cômodo. Ao menos a cidade eu já conheço. Ela pode ter mudado um pouco, mas eu ainda a conheço. Sei de suas dificuldades, de suas facilidades, o que me interessa, o que não faço questão, o que precisa ser conhecido e o que é necessário ser conquistado. Novas histórias podem acontecer ou podem recomeçar, o que não deixa de ser novo. Os recomeços nunca são iguais.


          Não quero falar de despedida, não que falar de recomeços e nem de retornos. Mas estou me despedindo, estou retornando e sem saber se isso é um recomeço. Não é que aqui “já deu o que tinha que dar”. Houve uma interrupção no meio do caminho e eu tive que desmontar o acampamento antes da hora. Acredito que todas as mudanças são sempre para o melhor. Elas doem quando vem de forma inesperada, no entanto nos surpreendem para o bem. Não sei o que será a partir de agora e nem sei se quero mesmo saber. Às vezes é bom perder o controle do amanhã (ele não tem controle, mas eu gosto de imaginar que eu tenho o domínio de tudo). Só sei que ciganos não ficam muito tempo em um mesmo lugar. É da natureza deles. 

28 de fevereiro de 2014

Já é carnaval

          Já é carnaval! É o momento de colocarmos a máscara da nudez, aquela que usamos para nos despir da vergonha, da timidez e colocarmos a armadura da coragem, da vontade, pois ser livre, se sentir livre, é bom demais!

          Não vai ter Copa, mas vai ter carnaval. Porque só no carnaval todos, ricos e pobres, se sentem iguais. De máscara todo mundo é igual da mesma forma como de perto ninguém é normal.

          São poucos dias para descarregar todo o peso, todas as mágoas, todo o stress de um ano de trabalho, dores, perdas e conquistas também. Poucos dias para sermos quem quisermos e não ser ninguém ao mesmo tempo. Poucos dias para darmos um grito de liberdade que logo acaba. Tudo volta ao normal. Ou, como muitos dizem, finalmente o Brasil começa a funcionar.

          Como diz um ditado tibetano: se um problema tem solução, não tem por que se preocupar com ele, e se não tem solução, a preocupação é inútil. Então para de chorar pela burocracia que não anda, pois a culpa não é de uma festa que existe há séculos. Se joga na serpentina, filho, e seja feliz fantasiado ou não, mas seja feliz. A quarta-feira de cinzas vem logo após a terça-feira de carnaval, pois aqui o sagrado e o profano sempre andaram de mãos dadas. Não é de hoje! Quem não gosta de carnaval, suba para as montanhas. Eu também não gosto de muita gente e nem por isso reclamo da existência delas.


          Já quem gosta... se joga! Tem bloco, fantasia, confete e serpentina para todos e todas. Caiu na rede, é peixe. Vem todo mundo sassaricar. Quero muitos risos, muita alegria e mais de mil palhaços no salão. Mamãe, eu quero! E beijinho no ombro pra quem fecha com o bonde. 

21 de fevereiro de 2014

Dos conselhos que não pedimos

Não é assim que funciona, você tá fazendo errado. Tem que desprezar o cara para ele te querer. – Mas você não acha que assim ele vai desistir de mim? Porque quando um cara me despreza eu desisto dele. – Não! Tem que ser igual ao guia da revista Capricho que eu aprendi quando tinha 13 anos. Vai por mim, é assim que dá certo!

Menina, mas você come demais! Olha, não se iluda, na sua idade eu pesava 48 kg, não é, gente? – Ééééééé. – Nossa, eu desfilava de biquíni em carro aberto. Você tinha que ver, todo mundo me admirava. – 48 kg?! Nossa, tia, ninguém pesa isso hoje em dia, não. Eu acho até que nasci pesando isso, haha. Que bom que você foi feliz desfilando em carro aberto, pois saiba que estou muito feliz aqui comendo meu pão. 

A vida não é só dinheiro, você tem que reclamar menos da falta dele. Reclamando assim, você acaba atraindo energia negativa do universo. Tem que ter bons pensamentos para atrair coisas boas... diz a blogueira milionária desde o nascimento e que não faz ideia de quanto custa a manteiga francesa de fábrica, quanto mais o pão francês da padaria da esquina que ela come no café da manhã em uma mesa lindamente posta, antes dela acordar, pela empregada da casa que ela nem sabe de onde veio e finge que não sabe que a explora.

Nossa, você vive de cabelo curto, por que não deixa crescer?

Nossa, você nunca teve os cabelos curtos, por que não corta?

Estudando pra concurso ainda? Mas você já tem emprego, o que mais você quer?

Estudando pra concurso? Por que não procura um emprego de uma vez invés de ficar aí achando que estudando assim vai conseguir alguma coisa?

Estudando? Pra quê? Faz um curso técnico que tá dando mais dinheiro que qualquer curso superior por aí. Como assim é preciso gostar do que faz? Gosto não enche barriga, não paga as contas. Você vive de sonho.


Ainda persistindo no que você acredita? Por que não desiste?

9 de fevereiro de 2014

Até agora

O olhar dele é penetrante e o sorriso malicioso. É simpático, inteligente, atencioso. Chega junto até demais, mas é bom. É bom e vou gostando, me encantando, me envolvendo. São beijos longos, puxadas de cabelo, a mão na cintura, pega com força. Gostei, me encantei, me envolvi. Tudo se repete e repete e repete. Depois desaparece. Dissimulação, traição, dissimulação. Sinto raiva, tristeza, raiva de novo. Desprezo. Esqueço. Aparece de novo. O olhar é penetrante, sorriso malicioso, é simpático, inteligente e atencioso. Sou fácil. Some de novo. Sinto tristeza, raiva, muita raiva, desprezo. Esqueço. Ele é frio, infantil e ofensivo. Sinto raiva, sinto pena, sinto vergonha de mim mesma. Descubro, confirmo e odeio. Sinto raiva e desprezo. Esqueço. Sou dissimulada, faço de conta que não sei nada e não sinto nada, sou amiga. Fico amiga. Aparece de novo. Olhar penetrante, sorriso malicioso, simpatia, inteligência, carinho e diversão. Repete e repete e repete até eu perder as contas. Suspira e vai embora. Dissimulação, traição e dissimulação. Choro. Tristeza infinita. Raiva. Pena de mim mesma. Quero esquecer. É simpático e inteligente. Quero esquecer. Dissimulação. Quero esquecer. 

7 de fevereiro de 2014

Das mudanças

          Por anos, a cada mudança que me ocorria (fosse revolta, fosse alegria), eu cortava os cabelos e retocava o vermelho. O vermelho, inclusive, representava uma fase de mudanças constantes.

          As tais eram tantas que, durante os cinco anos de vermelho no cabelo, mudei para castanho escuro, castanho acobreado e chocolate algumas vezes. Como não poderia me mudar de cidade, mudava a cor e o corte do cabelo. No entanto, no mês seguinte eu já voltava ao ruivo.

          Se terminava um namoro ou passava um ficante para trás (ou quando eu era passada para trás) retocava o vermelho ao som de “Cabidela” do Mombojó. E ficava tudo vermelho de novo... com os olhos pegando fogo.  

          Quando me cansei do vermelho, quando vi que tanto peso representado na tintura dos meus cabelos não me representava mais, passei a cortá-lo sem dó. De dois em dois meses. Já ocorreu de eu cortar duas vezes em um único mês. E tinha que ser despontado, desfiado, desconectado. Quanto mais fora do convencional, melhor.

          Até que chegou o dia que desfiei tanto os meus cabelos que não me reconheci ao me olhar no espelho. Queria parecer moderna, mas só enxergava uma perua velha que, apesar do tempo, ainda não havia se encontrado. Eu sabia o que era e sabia que eu não era aquilo que via. Assim que o cabelo cresceu um pouco, cortei para tirar metade do desfiado. Cresceu mais um pouco e tornei a cortar, tirando, assim, qualquer vestígio do passado.


          Hoje tenho os cabelos normais (ainda na altura dos ombros porque demora a crescer), com corte normal e com luzes como mais uma na multidão e, aos poucos, vou deixando de me esconder de baixo de tanto pano. Quando as mudanças passam a ser geográficas, as físicas tornam-se desnecessárias. 

28 de janeiro de 2014

Da poesia

Ivan me disse que a poesia é a única modalidade da escrita que lê o leitor ao invés de ser lida por ele. É verdade. Sempre que leio alguma poesia me sinto lida de uma forma que eu jamais saberia me descrever ou descrever qualquer sentimento que eu tenha.

Álvaro de Campos, por exemplo, dói-me o peito com tudo o que me diz e no fim me abraça como se me confidenciasse: eu entendo a sua dor. E viver é realmente um tédio.

Leminski, com todo o seu humor, me mostra que a dor tem sua graça. Não precisa ser a vida tão desgraçada.

Drummond percebe a sutiliza da vida, das pessoas, das ruas das cidades que passei como minhas retinas. Uma pena elas não saberem dizer tudo que veem e como veem. Nem as fotos que faço transmitem o que vejo.

Chico Buarque, na poesia de suas músicas, fala de amor, do amor que sinto, aquele quase sempre nunca correspondido, o que eu preciso entender. Não para deixar de sofrer, mas para saber que o sofrimento faz parte. Uma hora o tempo leva... e outro ocupa o lugar deixado.

Vinícius me confunde. O safado me faz acreditar que pouco amor basta e que não ser correspondida faz parte. Sendo assim, o melhor é cair de cabeça no que tem pra hoje porque no amanhã só podemos pensar amanhã. Mas o amanhã vem, Vinícius, e vem sempre acompanhado do vazio. Preciso aprender a não te dar ouvidos.


É inútil querer escrever qualquer coisa depois que leio algum desses poetas ou outro qualquer. Não consigo dizer mais nada, pois tudo já foi dito. E de um jeito que eu jamais saberia dizer. 

24 de janeiro de 2014

Casinha

          Quando meu irmão estava para casar, me falava como andava a construção da casa do futuro casal. Contava-me os detalhes, como eles queriam tudo, que tinha que ser como sempre sonharam etc. Lembro-me de ficar pensando como seria, então, a casa dos meus sonhos. E cheguei à conclusão, naquela época mesmo, de que nunca a terei, por nem saber onde fica, e se existe, o lugar perfeito para a casa perfeita.

          Sou solitária e gosto dos isolamentos, portanto a casa perfeita não seria no meio do furdunço de uma cidade, mas preciso da urbanidade próxima. Por isso, a casinha ficaria em um bairro distante e reservado de uma grande cidade. Tem que ter água por perto, ainda não sei se um riozinho ou um lago, mas água suficiente, limpa e transparente, de modo que, ao acordar eu vá até a janela do meu quarto e possa ver a luz do dia refletida no lago ou rio. Terá uma árvore frondosa perto do lago ou rio fazendo sombra no pequeno píer que dará para o lago... ou rio. Sob a sombra da frondosa árvore, terei uma ou duas poltronas confortáveis para leituras durante os dias frescos. Por falar nisso, o local da minha casa tem de ser um onde nunca faça um calor insuportável. Não existe leitura e produção com calor insuportável.

          A casa terá detalhes em madeira rústica e poucos cômodos, todos muito grandes. As paredes para o lado que dá para o lago ou rio serão de vidro para que a casa possa ter, por horas, iluminação natural, além da bela vista. Serão dois andares. No primeiro terá um cozinha americana com uma grande sala de estar/tv/jantar/leitura, com lareira para o inverno e estantes suficientes para todos os livros que eu tiver, e um banheiro, claro. No segundo andar terá dois quartos, porque uma casa dessas merece receber visita. Os dois quartos serão suítes. Fim da casa. Uma única exigência: internet!


          Lembrei agora que já vi uma casa parecida com essa antes, a casa do professor de italiano do filme “Sorriso de Monalisa”. Quero a minha assim, com toda a tranquilidade que ela parecia oferecer. 

21 de janeiro de 2014

Toda bunda se prepara para um pau no cu.

20 de janeiro de 2014

Cheiro de cigarro

Foi em 2007, na fila do R.U., quando abracei meu amigo Daniel e senti o cheiro de seu corpo, nitidamente sem banho desde o amanhecer, que me dei conta do quanto gostava desse cheiro de cigarro no corpo masculino.

No corpo feminino é diferente. É ruim, fedido. No masculino é envolvente. Instiga o olfato, dando vontade de passar o nariz, suavemente, por todo o corpo, deslizando os dedos por ele até pertencê-lo totalmente.


Não há perfume que me envolva tanto, nem a delicadeza do banho compartilhado. Só o cheiro do cigarro. 

3 de janeiro de 2014

Da despedida

          Parece que foi ontem que cheguei a Niterói com todo o peso do mundo no estômago para fazer a primeira prova do processo seletivo do mestrado da UFF. Não sabia se queria passar lá e viver coisas novas ou se queria passar na Ufes mesmo e permanecer na minha zona de conforto. Só sabia que queria passar em algum lugar. Tanto fazia. Eu não estava – eu não me sentia – em condições de exigir e nem de escolher muita coisa.

          A cada passo na cidade eu me sentia transportada para o ano de 2009, quando fui a Niterói pela primeira vez para mais um ENEL em minha vida (eu não sabia, mas aquele seria o último). Naquele ano havia toda uma pressa, um frenesi, para que tudo fosse visto, sentido e vivido, pois eu só tinha sete dias para muita coisa. Em 2011 não, queria a demora da degustação. E por saber que teria mais tempo, fiz muito menos em quase dois anos que fiz em sete dias.  

          Foram algumas idas e vindas exaustivas para, finalmente, em março de 2012 eu me mudar para lá. Havia passado no tal mestrado.

          No início eu sentia uma mistura de deslumbramento e medo do novo, para depois tudo isso se transformar em uma enorme preguiça. Niterói é bonita sim, mas acaba aí. O que vale à pena mesmo é a UFF e tudo o que ela representa para mim.

          Não fiz incontáveis amigos, até porque nunca fui disso. Sou do tipo “poucos e ótimos amigos”. E são esses que tornam a minha despedida bastante difícil. Dois anos é muito pouco para definir sentimentos e saber a falta que as pessoas vão fazer. Foi triste ter demorado tanto tempo para saber que eu poderia sim confiar nessas pessoas e que as mesmas só queriam o meu bem. Sempre quiseram. Mesmo que de um jeito diferente do esperado pela sociedade (e a sociedade lá sabe o que espera?).

          É a primeira vez que moro em uma cidade que me aborrece, mas que não quero ir embora por não querer ficar longe dessas pessoas. O que sinto é medo. Medo do esquecimento. Medo de não voltar. Medo de nunca mais sentir esse sentimento intenso que me é tão raro, e por isso mesmo tão caro. Medo de não ser mais.


          Que a distância e o tempo não nos apague da memória, que é falha e traiçoeira, e que a lei natural dos encontros nos permita os reencontros.