8 de novembro de 2013

Jardim da Penha

          Dos cinco anos que morei em Vitória, todos foram no bairro Jardim da Penha. Um ano na pracinha da Flash, um ano e meio no ponto final e todo o resto na pracinha do Epa, o melhor local, segundo minha experiência, para se morar no bairro. E Jardim da Penha, sem sombras de dúvida, é o melhor bairro de Vitória. Não porque é caro ou de classe média, como dizem, mas porque é jovem sem o peso do alternativo que reina em Vix. Fora que existem locais mais caros na cidade e realmente sofisticados, mas não é disso que estou falando.

          Não pretendo escrever para quem não conhece o bairro, isso todo mundo faz. Quero escrever para os seus velhos conhecidos, moradores e frequentadores. Aos que amam a certeza de que o mar tá ali na frente, mesmo raramente indo até lá. Aos que nunca entraram em uma academia na vida, mas nem por isso deixam de fazer uma atividade física, pois o calçadão tá logo ali. Aos que mesmo com praia e calçadão no bairro preferem o boteco, que tem aos montes e cerca o morador por todos os lados o convencendo de que o melhor é sentar e beber porque caminhar ou correr é muito cansativo.

          Apesar de três supermercados, um hortifruti e diversas padarias, bom mesmo é a feira do sábado de manhã, que fica ainda mais agradável para quem estava na Lama bebendo até às 6h e precisa de um pastel com salada e café. E a rua da Lama para mim se resume em um único bar, o Cochicho, que mesmo não aceitando cartão (creio que nunca aceitará) e não tendo o melhor tratamento do mundo, tem os melhores frequentadores e a melhor trilha sonora, até quando não é ao vivo.

          Sinto muita falta da rotina do bairro. Dos meus amigos de Cachoeiro que também moram lá. Dos restaurantes que eu ia almoçar e encontrava rostos já conhecidos de vários desconhecidos. Da feira de comida e artesanato nas sextas à noite. Dos hambúrgueres salvadores da pátria nas madrugadas. De sair da Ufes à noite, passar pela Lama e sempre encontrar alguém para conversar, como o Danilo ou Viniboy! Dos amigos da Letras sempre me fazendo sorrir, seja na Lama, seja na Ufes ou nos rocks da mesma.


          Já me mudei demais e sinto que vou continuar me mudando. Acredito que todo nômade tenha um lugar no mundo para se sentir em casa, o meu é Jardim da Penha. Não é Vitória ou todo o Espírito Santo, é o bairro Jardim da Penha. A rua 7 ainda não me cativou. Creio que nem vá. Modismo passa e eu sou vintage. 

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