22 de novembro de 2013

Do retorno

          Recomeçar é sempre desagradável, ao menos para mim, pois tenho muita dificuldade em lidar com o novo. O lado ruim de saber exatamente o que quer da vida é que quando uma coisa desanda, o restante do plano fica em suspenso. É como um jogo de tabuleiro: sabemos o fim da linha e temos a certeza de que queremos chegar até lá, mas, por alguma eventualidade, precisamos voltar uma casa, ou duas, ou três... E no momento do retorno da casa sempre sentimos aquela terrível sensação da derrota. O jogo ainda não terminou e sabemos disso. O que não quer dizer que deixamos de sofrer.

          Desde 2007 que estou fora de casa, fora de Cachoeiro. E agora estou me preparando para voltar no ano que vem. Não para ficar de vez, porque não sou do tipo que fica de vez em lugar nenhum. O retorno à casa anterior é para ganhar fôlego e continuar o jogo. Voltar tem seu lado bom, principalmente quando envolve a família e a saudade eterna que sinto de todos. No entanto estou triste em ter que voltar, pois “freio” não é palavra que existe no vocabulário de quem é frenética. O bom em estar “triste” (uso aspas porque não sei se é exatamente tristeza o que sinto) é a falta de expectativa criada. Dessa forma, o que vier é lucro. Nada é mais agradável do que se surpreender com o inesperado, com o banal, com o velho conhecido de todos nós.

          O calor da bexiga, da moléstia, senegalês, escaldante, (é tão quente que nem sei descrever), de Cachoeiro não é o pior do ES e nem do país, muito menos do mundo! Vitória, Niterói e Rio, por exemplo, têm mar, mas se você estiver longe dele sentirá tanto calor, ou mais, que se sente em Cachoeiro. Depois que fui a Belém do Pará no mês de julho, o mais quente da região Norte, nunca mais me atrevi a reclamar do calor da minha cidade.

          Novos bares abriram, novos restaurantes também, conheci algumas pessoas enquanto estive fora... Enfim, recomeçar, retornar, redescobrir. O antigo pode ter novos sabores.


          Retornar é difícil, recomeçar é penoso, mas é estar em movimento. Triste mesmo, sofrido de verdade, é ficar parado, ser árvore. E raízes, meus caros, é tudo o que eu não quero ter. Já disse isso antes e vou continuar dizendo: sou âncora, pois não fico à deriva por muito tempo e nem em um mesmo lugar. 

2 comentários:

tito quintiliano disse...

A metáfora da âncora tem um desdobramento: a âncora não tem autonomia, ela é içada por outro alguém que decide sua hora e destino.

Cinthia Belonia disse...

Quem iça é a minha vontade e a âncora é o meu corpo.
:)