25 de outubro de 2013

Estou trocando bolero por fado.

A dor é a mesma.

Das cartas


          Semana passada recebi uma carta de um amigo. Ele anunciou a vontade de escrever “cartas, dessas que se envia pelo correio” em seu Facebook. Imediatamente, várias amigas mostraram interesse pela correspondência. Eu fui uma delas. A carta em si, não era grande coisa. Ele foi neutro o suficiente para eu não ver necessidade alguma daquele papel. Se era para não escrever nada, que não escrevesse nada. Falta de paciência à parte, o ato de escrever uma carta despertou em mim lembranças da adolescência.

          Aos 13 anos passei meu primeiro verão histórico em Piúma (foram muitos!). Minha amiga Carla conhecia várias pessoas e não era nada tímida, como se diz: era (e ainda é) boa de papo! Por causa dela, conheci muita gente. No entanto, quem ficou daquele verão foi o Guilherme. Um mineiro de Juiz de Fora velho conhecido da Carla, pois ela já era amiga dele a da prima, Camila, de outros verões. Foi ele a primeira pessoa que me correspondi por carta. Naquele tempo não era fácil ter internet como hoje, eu mesma nem sabia como isso funcionada. E chamadas interurbanas eram muito caras. A comunicação teria de ser por cartas.

          No início foram muitas, coisa de cinco cartas seguidas. Mas como todo contato à distância, as cartas foram rareando até que terminaram. Consequência de um retorno ao mundo real pós-férias. Quem nunca?! O silêncio das cartas não duravam muito, bastava outro verão para tudo voltar como antes. A cada verão surgiam novos amigos de outras cidades e estados. Mais amigos geravam mais cartas.

          Não me correspondi somente com os amigos do verão e as cartas não eram somente dessas de se enviar pelo correio. Tomei gosto pela coisa e comecei a escrever para os amigos da mesma cidade. Entregava as cartas pessoalmente na casa de cada um, ou na escola mesmo, quando escrevia para Carla (que estudava junto comigo) ou para Jordana. Declarar o amor eterno por uma amizade (que tem sido eterna ainda hoje) precisava ser por escrito, já que não sabia, e ainda não sei, falar.

          Quando me mudei de Jerônimo para Cachoeiro cheguei a escrever para Carla algumas vezes. Não continuei a brincadeira porque precisava viver as novas amizades (que não duraram muito) e Carla fazia o mesmo em Alegre.

         Em 2004 passei 10 meses em Florianópolis. Não fiz muita amizade por lá e vivia emburrada. Eu não tinha internet em casa e decidi escrever cartas para os amigos. Péssima ideia! Eu, em um romantismo que não existia mais, querendo me comunicar com quem estava conectado e não queria saber de outra coisa?! Ryan, Aécio e Jordana bem que tentaram, mas não durou muito. Mais parecia correspondência em tempos de guerra, de tão demorada que era a resposta. Que bom que voltei!

         Atualmente, pelo correio eu só recebo contas e livros. E-mail é para o contato profissional e para os amigos existe a rede social. E ao responder o amigo neutro, vi o quanto é difícil escrever uma carta para dizer algo diferente do que já dizemos tanto na janelinha do Facebook. Não há fofoca que espere três dias para ser contada e mais três pela reação. Isso, se considerarmos resposta imediata, o que já sabemos que nem sempre ocorre.  

24 de outubro de 2013

Eu tentei ser moderna, mas não consegui.
Eu tentei desacreditar no amor, mas acredito.
Meu coração não se cansa.
Eu tentei aceitar a poligamia, mas sou monogâmica e ainda tenho esperança na fidelidade. 

Eu tentei ser moderna, juro que tentei, mas só sei ser vintage. 

11 de outubro de 2013

De trem

          A Welber Santos

Sempre me senti cigana. Mudei de cidade várias vezes e de casa em algumas delas. Por conta disso, ou por conta do meu ascendente em sagitário, nunca gostei de ficar muito tempo no mesmo lugar.

A rotina me cansa. Preciso dela por um tempo, mas depois me cansa. Não é que eu queira viajar pelo mundo, ser pássaro, me sentir em um balão que sobrevoa tudo sem estar e nem sentir. Eu preciso viver os lugares! Preciso estar neles, morar neles. Por isso sou âncora.

A âncora se fixa no fundo do mar segurando o barco na superfície de algum lugar por um determinado tempo. Não tem data certa para chegar muito menos para sair. É pelo tempo que o marinheiro gostar e/ou que precisar.

Mesmo tendo o ascendente em sagitário eu não sou aventureira. Não lanço a flecha e vou para onde ela apontar. Antes de tudo, tenho sol e lua em touro. Sou racional, fixa, da terra. Por isso, além de âncora, me sinto trem. O trem segue nos trilhos, tem um destino certo, para em diferentes estações já antes determinadas e há sempre um retorno. Só um acidente tira um trem dos trilhos. Só um acidente quebra a rotina.

O trem, que está sempre indo (mas sempre volta), passa por dentro das cidades, conhece as cidades, as pessoas, é acenado por estas com os lenços da saudade. Tanto as da chegada, quanto as da partida. O trem sente!

Como o trem, estou sempre indo e com os pés no chão. Não sou como a árvore que é fixa pelas raízes. Eu não tenho raízes. Nem quero ter raízes. Se for para ser fixa, só pela âncora, que não se fixa completamente. Também não sou levada pelo vento feito balão, pois eu já sei o que quero. E por saber, vou em busca. Mesmo que custe e que demore. Mesmo que demore o tempo de uma viagem de trem em terras brasileiras. É com persistência, constância e paciência que eu chego ao destino.


Então só me resta apreciar a vista. 

5 de outubro de 2013

Lusitana

Desde que me mudei para Niterói que só escrevo sobre saudade.
Fui me tornando lusitana e não tinha percebido.