3 de setembro de 2013

Sutilezas

Em Niterói, horário de verão de fevereiro de 2013, dois irmão, crianças e uniformizadas, andam juntas à babá. É horário de saída da escola. A rua está lotada de carros e ônibus também lotados. A calçada também está lotada. Os dois meninos, aparentando terem seis e cinco anos cada, se abraçam e caminham juntos e sorridentes. Eu não aguento apenas observar e falo: que lindo! A babá olha pra trás e sorri. Era realmente lindo!

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Em Cachoeiro um senhor, vendedor de picolé, sentado em um banco de pedra da ponte municipal, observa, carrancudo, quem passa pela ponte às 15h no calor de 34 graus em pleno inverno. Noto que ele se esgueira para o lado fazendo uma careta mais carrancuda que antes. Ouço o barulho de um flato.

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Crianças da rua jogam bola em uma tarde ensolarada. Cachoeiro é repleta de morros. A rua é mais um desses morros. Um artefato de madeira foi colocado na parte de baixo e outo no alto do morro. Será que alguém pensou que quem faz gol pra cima fica prejudicado?

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O menino joga areia no carro estacionado em frente a sua casa. Ele nem sabe de quem é tal carro, mesmo assim joga areia em cima. Joga areia como se fosse água, limpa com as mãozinhas como faz o trabalhador do posto de gasolina. Como se a areia pudesse limpar o carro já bastante sujo. Uma moça chega da varanda de uma casa em frente e grita: Ei, mocinho, não pode fazer isso não! Era, certamente, a dona do carro. O menino, muito assustado, diz apenas, de sobressalto: eu sei. E corre para casa.

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A moça esperava o namorado na porta do trabalho. Este estava em uma reunião. Avisara a ela que podia almoçar sem ele, pois iriar demorar. Não valia à pena esperar, mas ela queria a companhia dele feito cão sem dono. Passou cerca de duas horas sentada na escada da porta do escritório. Quando o moço sai, ela briga: Poxa, fulano, tô aqui faz duas horas te esperando pra gente almoçar! O restaurante já deve tá fechando. Ele apenas diz: mas não pedi que me esperasse. Ela faz um muxoxo, ele também. Os dois se abraçam e vão embora. 

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