28 de setembro de 2013

Olhos que riem

Quem me conhece sabe que não morro de amores por crianças. Até sinto certo encanto, mas não as quero para mim. O que me comove mesmo, faz meus olhos brilharem, são os idosos. Eles têm um olhar diferente dos mais novos. Um olhar puro e cheio de memória.

São os idosos de rua, os que trabalham no sinal vendendo paçoca, os que pedem comida, que me deixam de coração partido, com vontade de levá-los para minha casa, de cuidar de todos eles. 

O pouco cabelo na cabeça, todos brancos, os braços enrugados, o rosto caído, o andar devagar, o sorriso no olhar e a forma como agradecem me dão um “não sei quê” de vontade de abraçá-los. Eles têm um corpo que pede e/ou chama (para o) abraço.

Dia desses eu estava na rua, imprensada na calçada, esperando um casal de idosos passar. Na minha frente havia uma moça com um carrinho de bebê, quando ela chegou para trás deu para ver que o bebê aparentava ter um mês apenas. O casal de idosos vinha, ele se apoiando na bengala e ela se apoiando nele, bem devagar. O tempo que demorou foi o suficiente para eu me fascinar com a cena e pensar que, se existe casamento para além do evento, ele tem de ser assim, um eterno companheirismo. Nada mais que isso. Já ao meu lado percebo que os dois admiram a beleza do bebê, nisso a senhorinha, muito racional, diz: pena é que cresce! Eu sorrio para ela com a malícia de quem concorda. E o senhorzinho, cheio de poesia, diz apenas: pena é que ele está chegando e eu estou indo embora. 

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