6 de setembro de 2013

Exorcizando

O conheci em 2007. Estava no Porto com minha amiga no Tributo a Sergio Sampaio. Era dia 18 de maio. Apesar da ótima memória que tenho, lembro bem o dia por ter sido logo após o meu aniversário, mas isso não vem ao caso. O que importa é que em 2007, no Porto, o vi pela primeira vez. Estava a três pessoas atrás de mim. Usava camisa vermelha, barba e óculos. Era lindo! Ao menos eu achava.

Ficamos algumas vezes naquele ano. Sem querer, fui intensa demais e ele não curtiu. Sumiu. Sem o medo que hoje tenho, liguei. Ele disse que preferia ir com calma porque tinha terminado um namoro fazia pouco tempo e não queria se envolver tão cedo. Fiquei calma. E ele sumiu mais ainda. Até que o vi pela Ufes e, sem o medo que tenho hoje, fui atrás e perguntei o que estava acontecendo. Ele disse que havia voltado para a namorada. Expliquei que eu não mordia, que não estava apaixonada e nem queria casar, mas que não gostava da ideia de ter que adivinhar o sentimento alheio, e nem os pensamentos. Quando não quisesse ficar comigo mais era para fazer como fez quando teve interesse: dizer.

Foi assim que perdemos o mínimo de liberdade que tínhamos. Não nos falamos mais. Ele namorou. Eu namorei. Eu terminei antes. Ele terminou uns meses depois. Em 2009 voltamos a ficar. E dessa vez eu tinha medo, muito medo de me apegar. Queria me defender e escolhi ser misteriosa. Mal sabia eu que só conseguia ser fria. Ou maluca. E acho que, naquele ano, ele não me entendeu.

Perdi a paciência com a falta de compreensão dele e parei de procurar. Ele procurou, mas escolhi ser grossa. Ele sumiu. Arrumou uma amante, aquela com quem flertava antes, quando ainda ficávamos. A mocinha até hoje me olha torto, coitada. Depois ele arrumou outra mocinha. Eu arrumava vários, mas não estava propriamente com ninguém. E me sentia bem assim.

Em 2010 ficamos de novo. Mas foi só uma vez, se não me engano. Saudade anual.

Em 2011 queria entender o que rolava. Havia ficado com ele mais duas vezes. Pensava no passado e não conseguia entender o que vira nele e porque eu fora tão apaixonada. Seu beijo nunca acompanhou o meu, o abraço era frouxo e o sexo só foi bom, de fato, uma única vez, na primeira de 2011. No entanto, havia uma eletricidade.

Até que um dia desencantei. Ainda me peguei pensando nele nos momentos de solidão sem nunca saber se era saudade ou vazio. Eu nunca soube diferenciar uma coisa da outra com determinadas pessoas.

Por fim, ficamos mais uma vez em 2012. Já não morávamos mais na mesma cidade, nem no mesmo estado, mas ele veio. Foi estranho, pois não havia mais a eletricidade. Só consegui sentir meu corpo se despedindo de outro corpo que estivera comigo, direta ou indiretamente, por anos, mas que precisava ir embora. Outros estavam pra chegar.

Isso não é um virar de página. Isso é uma troca de livro num sebo.

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