12 de junho de 2013

Eu não sei mais escrever

Eu não sei mais escrever uma crônica. Perdi meu lirismo, se é que o tive algum dia. Sempre que penso em escrever algo é para reclamar. Mas isso não é crônica. Então não escrevo e vou vendo meu blog cada vez mais às moscas. E eu tenho tanta coisa para falar... reclamar.

Por exemplo, em tempos de rede social tudo que se pensa é postado. Dos pensamentos mais inúteis aos mais revolucionários. E assim, todos os seus “amigos” adicionados sabem o que você pensa. É aí que começa o problema: não podemos pensar diferente um do outro. Até podemos, e pensamos. Mas quando ficamos sabendo o que cada um pensa, nos damos conta de que não conhecemos realmente os nossos amigos. A surpresa é inevitável, para o bem ou para o mal. Infelizmente, na maioria das vezes é para mal.

Como gostamos de casa cheia temos vários colegas e meros conhecidos adicionados ao lado de amigos de longa data e que realmente importam. Aprendi quando criança que não devo discordar de uma pessoa na casa dela, mesmo que ela seja racista, por exemplo. Já na minha casa e posso jogar pela janela se eu quiser! Mas na rede social funciona diferente, ao menos algumas pessoas pensam que funciona. Não me interessa a teoria de Mark Zuckerberg, mas o meu facebook é meu, e fim de papo! A casa é minha, faço dela o que eu bem entender. Você pode até me conhecer, mas não foi convidado para um café. Portanto, se eu posto algo que você, que me conheceu em 1997 e não me viu mais, discorda, por favor, engula, respire fundo e reclame de mim no seu facebook, na sua casa, ou na do caralho, como queira. Na minha não, obrigada!

É cansativo ter que pensar duas vezes antes de escrever algo sobre cotas raciais e sociais e pensar que tenho colegas, e até amigos, que discordam e que vão me atormentar dizendo que só concordo com “essas coisas estapafúrdias” porque sou ingênua, veja você?! Ou ainda ter que apagar comentário de mãe de amiga, evangélica fervorosa, que quis me bater com a bíblia após eu postar que sou a favor do aborto. Mas nada me deixa tão chocada ao saber que sou motivo de chacota dos amigos por eu não ter preconceitos e por lutar contra eles. Que mundo é esse, afinal?

E como se não bastasse apenas discordar, as pessoas ainda querem me convencer do meu equívoco. Pois estou equivocada sim em apoiar o movimento feminista, o movimento gay e o movimento negro. Estou equivocada em apoiar as minorias do país, incluindo a classe trabalhadora. Estou completamente errada em apoiar as manifestações país afora pela redução do aumento das passagens do transporte público. Sou uma tonta em apoiar o auxílio financeiro do governo federal à população de regiões que simplesmente não existe emprego. O fim mesmo, é eu achar que trabalhador tem que lutar por melhores condições de emprego e de salário, porque a miséria do salário mínimo está bom demais para quem não estudou, até porque a educação de base e superior é de fácil acesso para todos.


Isso não é uma crônica, é apenas reclamação. E a regra no meu blog é a mesma do facebook.