26 de maio de 2013

Pensar o retorno

Essa semana meu amigo Danilo Barcelos escreveu algo em seu blog que me fez refletir, além me de dar um tema para escrever: o retorno não é dos piores.

Há uns anos, quando eu ainda morava em Vitória, só de pensar em um retorno para Cachoeiro, meu coração palpitava. Eu queria qualquer coisa, menos voltar pra casa. Meus amigos estavam em Vitória, eu tinha um mísero tralho em Vitória (e eu sabia que poderia trabalhar mais e ganhar mais em Cachoeiro, mas não queria), eu morava sem minha mãe por lá, e mesmo dividindo o apartamento com outras garotas eu tinha uma liberdade que na casa da minha mãe eu não teria. E Vitória era muito melhor que Cachoeiro: tinha todo o lazer e a infraestrutura que eu precisava e queria.

Mas após um pouco mais de um ano morando em Niterói, tão perto do Rio onde tem muito mais que Vitória a me oferecer, eu tenho pensado que em Cachoeiro eu serei mais feliz. A começar por aqui eu não ter amigos. E os poucos colegas que tenho, ou estão na pós como eu e, por isso mesmo, sem tempo, ou estão totalmente sem grana. Ou as duas coisas. Mais de 90% das pessoas que conheci aqui era melhor nunca tê-las visto, e isso não é, nem de longe, um exagero. É a pura realidade. Meus amigos de Vitória também são de Cachoeiro, então continuaria os vendo. Fora já perdi todo o romantismo de morar em república. E esse é o principal motivo para eu querer voltar pra casa.

Já tenho 28 anos, e ter que morar com pessoas nunca antes vista, construir laços, nem que seja para tolerar de baixo do mesmo teto, é desanimador com o passar do tempo. Com o valor exorbitante dos aluguéis nessa área do país, somente com doutorado e funcionária pública federal de nível superior eu poderia morar sozinha e pagar todas as minhas outras despesas, das necessárias às mais fúteis. E a casa da minha mãe em Cachoeiro é tão linda, tão nova, tão bem decorada... que não faz sentido eu morar mal em outro lugar e ganhar mal só pra dizer que não estou morando com ela e/ou em Cachoeiro, como tantos colegas fazem (e acham o máximo!).


Não, eu não penso em ficar lá de vez. Até porque não penso em ficar de vez em lugar algum. Também não penso em arrumar algumas escolas para dar aulas e ficar nessa para todo o sempre. Mas penso que não há lugar melhor no mundo que a minha casa para eu passar um período de transição. E como muitos colegas que saíram de casa aos 20 anos, ou menos, para estudar pensam, eu não acho que voltar pra casa agora seja uma derrota. Pelo contrário, acho uma vitória esse meu desapego geográfico. É preciso amadurecer muito para perceber que não é uma cidade que vai te fazer feliz. 

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