3 de novembro de 2012

[sem título]


Estar viva por fora e não apenas por dentro. Queria ser vista muito mais que ver. Meu rostinho lindo em fotografias por aí, pelo puro prazer da admiração. Porque é bom e isso basta.

Dançar na cara de todo mundo sem vontade de provar nada. Porque não preciso.

Beijar, até amanhecer, o único homem que me interessa. E depois não me interessarei por mais ninguém.

Ah, mas ele não sabe que todos os sorrisos, todas as músicas e todas as fotografias do meu lindo rostinho sempre foram para ele. E creio que nunca saberá, porque não falo. 

20 de agosto de 2012

Que seja vontade


Vontade de descobrir seu corpo. O que nunca tive. Te beijar todo pela primeira vez.

Vontade de afagar seus cabelos sem vergonha de olhar em seus olhos e deixar claro o que sinto.

Vontade de estar ao seu lado, mesmo com a distância.

Vontade de matar essa saudade que me mata, beber um vinho com você e adormecer mole ao seu lado.

Vontade de estar com você por horas intermináveis, sem pressa de voltar e sem vontade também.

Vontade que essa vontade não passe e que não seja só vontade.

15 de agosto de 2012

[sem título]


Também tenho desejo e tesão. E também preciso me aliviar às vezes. E isso não é raro, é quase que frequente. Mas não me desespero saindo à caça de qualquer perdido na noite. Costumo procurar pelos repetidos e que já me deram garantia de serem bons no que quero naquele momento. No entanto, acho que estou fazendo errado. Eu deveria deixar minha caretice de lado e dar corda pros desconhecidos totais. E não me preocupar com o depois e com o que vão pensar. Não me conhecem mesmo. Por que os tais conhecidos têm a mania de achar que o tesão aliviado deve ser o deles. No tempo deles. E não no nosso tempo, juntos. Tanto desencontro quando poderia dar certo.

E é aí que eu perco o interesse. 

23 de julho de 2012

Eu não odeio Julio Cortázar


T. vive querendo se redimir por ter me feito sofrer. Seja com palavras que ele julga doces ou até mesmo com dinheiro para que eu compre um presentinho que me agrade. Eu até tento não interpretar isso de forma errada. Pois sei que ele não pensa muito e certamente não fez por mal. É o jeito errado dele de achar que arrasa, coitado.

Mas a maior desgraça que ele me causou nunca foi o sofrimento pelo fim de um namoro falido muito antes de começar.

Numa noite na casa de T. ele me explicava uma música como se eu precisasse da explicação. Na época eu era uma tola apaixonada e o deixava se sentir meu professor. Como já disse, eu era boba. E gostava de vê-lo feliz. Ele veio numa eloqüência poética traduzindo uma música cuja letra era em inglês. Eu não sei inglês, mas não precisava daquela tradução para entender a música. Mas deixei o cara se sentir poderosamente útil naquela noite. Sentados no chão da sala ele vinha traduzindo o primeiro verso, o segundo verso e o terceiro. Não foi além, porque não sabia a tradução do resto. Nisso, A., que morava com ele e outros dois amigos, disse: vai, T. termina de traduzir o resto, quero ver você conseguir! E nisso, E., outro morador da casa, disse: para com isso, A., deixa o cara, não precisa arrumar confusão.

Fiquei ali me sentindo uma idiota com tal situação. T. achava que eu era uma burra que precisava da tradução dos três primeiros versos para entender uma música. A. dizia a T. que ele era um burro e ainda tentava ensinar a outra burra. E E. apartava A. por achar que ela não precisava arrumar confusão por causa de dois burros.

Esse trio era tão insuportavelmente pedante que ao fim do namoro fiquei feliz por me livrar não só de T. mas dos outros dois também.

E sempre que iniciava a leitura de O Jogo da Amarelinha eu não conseguia concluir. Porque tinha, e ainda tenho, um ódio de Oliveira, Etienne, Ronald, Babs e Gregorovius, por se acharem tão intelectuais em seu pedantismo e menosprezarem a Maga por esta não ter a sabedoria deles e por vezes se sentir menor por isso.   

Essa foi a grande desgraça que T. me causou. Pois por anos eu culpei Julio Cortázar achando que eu não gostava dele. Mas a verdade é que não gosto de T., A. e E. 

11 de julho de 2012


O segredo é ser pessimista e pensar que tudo vai dar errado. Ou então parar de pensar.

Mas é possível deitar a cabeça no travesseiro durante a noite e não querer rememorar as boas lembranças para sentir o gostoso de novo?

13 de junho de 2012

Essa minha alma cigana...

Essa minha alma cigana ainda vai me levar além.

Queria um pouco de ordem nesse caos todo. Mas que ordem? Para uma pessoa normal caos é essa minha mudança geográfica constante, já um cigano tem isso como ordem. Caos seria ter raízes e se manter fixo num único lugar, numa única casa, numa única decoração e numa única cor de cabelo.

Eu necessito de mudanças. Não as bruscas, porque destas eu tenho medo. Mas as planejadas com certa calma. Não muita, pois assim eu pensaria demais e desistiria por pura preguiça.

Além da cigana há uma preguiçosa em minha alma.

Mas quero falar de mudanças... Já cansei daqui. Cansei porque já ta tudo igual. Não tem mais emoção. Já tô com preguiça do mesmo. E sim, aqui também tem o mesmo. Eu sei que isso passa e que vou sentir falta (assim como sinto falta da Lama). Mas hoje me deu vontade de mudar de país. Quero ouvir outro idioma da hora que eu acordar até a hora que eu dormir. Sem prazo pra voltar, pois pode ser que eu goste e queira ficar, como pode ser que eu canse em uma semana.

Porque ordem não existe, e eu nem a aguentaria... E o caos se faz presente até mesmo na mesmice. 

21 de maio de 2012

Âncora

Por muito tempo me defendi atrás do meu discurso cigano. Não me comprometia afetivamente porque não sabia para onde ia no ano seguinte. Então não seria justo com ninguém. Sem falar que queria viajar muito. E viajei muito. E ainda vou viajar muito. E a última coisa que quero é alguém definindo o meu roteiro ou me pedindo pra não ir.

A verdade é que tenho um grande defeito: me apaixono fácil. Então, para não sofrer, eu fugia enquanto era tempo. E fazia de conta que fugiram de mim. É mais fácil mesmo colocar a culpa nos outros e me fazer de coitada.

E admito que foi bom sim me relacionar com diferentes pessoas ao longo dos anos. Uns um tanto babacas, outros até demais, mas alguns que valiam a pena não perder de vista.

Mas chega uma hora que seduzir sempre cansa. E dormir de conchinha é a melhor ideia para qualquer dia. Não precisa ser inverno e nem um domingo chuvoso e tedioso. Resolvi encarar que sei qual é o meu destino (até que provem o contrário) nos próximos dois anos. E cansei do ficar por ficar, da insegurança, da ansiedade, das minhas desculpas pra correr da felicidade por medo de sofrer.

E nessa palhaçada fiquei cinco anos no mesmo lugar usando a mesma desculpa da mudança. Agora quero é sossegar o facho, como dizem, em ao menos dois sentidos: ficar com uma pessoa só e estar num lugar só. Não é hoje que vou dar a volta ao mundo, e nem agora.

Até uma cigana precisa de uma âncora.

6 de março de 2012

Tenho me deixado pelos cantos por onde passo. Tô deixando uma parte de mim com muitas pessoas. Umas que conheço há anos, outras que acabei de conhecer. Às vezes, sem que estes saibam, eu pego de volta o que deixei (ao menos é assim que considero). Mas tô deixando muito de mim por aí.

E assim eu vou virando saudade, só saudade. To sentindo falta de muita coisa, e umas tantas que nem vivi. Imagino algumas e já fico feliz. Não, não estou vivendo de mentiras. Vamos dizer que eu tenha planos. Sempre os tenho. Por isso antes eu tenho que imaginar como será quando se concretizar. O quanto menos imagino, melhor. Gosto de me surpreender.

Agora, por exemplo, acho que sou só saudade. Nem existo mais. Tô com saudades do que me espera aqui, do que deixei em Vitória e do que ficou em Cachoeiro. Não, não estou errando o português, tô com saudades do que me espera aqui, e eu sei do que tô falando.

Vou me deixando pelos cantos e vou deixando pessoas em cada canto que passo, tipo fileira de pedras pra eu saber o caminho de volta e exatamente pra onde voltar.

25 de fevereiro de 2012

A minha Vitorinha

Sentir saudades de Vitória não estava nos meus planos. Nunca gostei de ficar no mesmo lugar por muito tempo. Apesar de gostar de rotina, não curto mesmice. E ao me ver de partida pra outra cidade, outro estado, só pensei em euforia. Mudança de ares era tudo o que eu precisava, e ainda preciso. Tudo igual o tempo todo cansa até os rotineiros taurinos.

Mas é que deu saudades. Saudades do mesmo. Da rotina. Deu saudades de sair no fim da tarde no meio da semana pra tomar açaí no Aloha com Diego. Deu saudades quando lembrei que a primeira vez que bebi em Vitória foi no Calipe com Xuxão. Deu saudades da coxinha do Cochicho, do jazz das terças, da boa música, de ver sempre o professor Lino Machado batendo ponto por lá. Deu saudades das conversas ora entusiasmadas, ora amenas, mas sempre boas na mesa do mesmo bar. Deu saudades, mais do que de tudo, dos amigos. Os de sempre. Os daqui de Cachoeiro mesmo e que aos poucos foram todos pra Vitória morar no mesmo bairro: Jardim da Penha. E todo mundo se concentra por ali mesmo (por mais que às vezes a gente reclame, nunca precisamos de outro lugar). No mesmo bar, no mesmo samba, no mesmo rock, no mesmo restaurante na hora do almoço, e que agora que mudei também funciona de noite como o novo boteco da vez. E os novos amigos que vieram, também são daqui de Cachoeiro e vivem nessa mesma rotina já dita.

Por mais que eu precise do novo a cada fase de exaustão, não consigo me desprender do passado. Seja pela ótima memória que me persegue e que por vezes preferia não tê-la, seja por fazer questão das boas lembranças, seja por ser um passado sempre presente devido às pessoas que fizeram parte dele e continuam na minha vida até hoje, ora um pouco mais, ora um pouco menos. Até o Leo voltou. E por mais que eu negasse antes, a boa conversa sempre me fez falta.

Só sei que chorei de saudades! Saudades dos Langas, do Diego, do Rayn, Aécio, dos que conheci pouco, mas que já gosto como Gil, Sapão, Bruna e Priscila. Da Manu, que vejo pouco, mas lembro sempre. Da Maria, a amizade mais turbulenta e carinhosa que já tive. E de Vitorinha, com tudo o que tem dentro.