13 de setembro de 2011

Rotina

Ele ia a sua casa com certa freqüência quinzenal. No fim de uma noite de rock os dois caminhavam juntos até a casa dela e por lá ficava. Transavam, claro. Mas tinha vez que não. E mesmo assim dormia por lá. Não perderia a viagem. Brigavam algumas vezes, é certo. Noutras eram só amor e sexo. A ponto dela passar uns dois ou três dias encantada por ele. Mas logo esquecia e pensava em outro.

Assim permaneceram por cinco meses de idas e vindas. Sexo constante. Carinhos e afagos. Via-se que ele era carente, mas não sabe (ou nunca quis) explicar porque e nem mudar a condição. Mesmo vendo que ela às vezes queria dar colo. Mas também queria ganhar o mesmo. E isso ele não dava.

Os laços foram se estreitando. Ele ficou menos fechado. Ela menos agressiva. Foram se abrindo um pro outro. Brigavam menos. Ele dormia em sua casa dias seguidos. Numa dessas noites lhe trouxe um bolo diferente. Ela pediu a receita. Ele disse que voltava para fazer. Demorou a voltar. Ela então fez bolo todos os dias para si mesma.

Mas chegou o dia (na verdade, noite) que ele veio fazer o bolo. Sentou de costas para ela, leu a receita em voz alta e ela fez sozinha. Nunca havia feito uma calda de chocolate na vida. O perguntava toda hora se estava certo, quanto de manteiga, era ou não era hora do creme de leite... Ele respondia sem olhar para o que ela fazia e como fazia e sem desgrudar os olhos de seu trabalho. Enquanto isso ela mexia a colher na panela sem parar com cara de entediada. Parecia um casal de verdade. Anos de relacionamento e sem novidades.

Nessa noite ela não lhe deu carinho. Ficou desapontada, desiludida. Não havia mais graça. Nunca mais se viram.

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