19 de setembro de 2011

Despedida

Meu jeito de lidar com a saudade é diferente. Não gosto das despedidas, por exemplo. Faço de conta que a pessoa não vai embora pra sempre. Dou um “tchau” como se fosse vê-la daqui uns dias, mesmo sabendo que será nunca mais. Assim aquele instante da despedida não é sofrido. E sei que a saudade depois será gostosa. Ficarei dias e horas inteiras rememorando momentos felizes e agradáveis que passamos juntos. Mas ao passar de um mês ou mais explodo em lágrimas descomunais que estavam reprimidas no fundo do meu ser. E choro assim por dois ou três dias. E passa. Sempre passa. Após uns meses volto a ter apenas pensamentos leves, felizes e agradáveis sobre a pessoa distante.

Em Belém do Pará, quando me despedi do Rafael fiz assim: nos beijamos e nos abraçamos forte. Ele disse: te cuida... vou sentir sua falta... gostei muito de te conhecer. Eu apenas disse o mesmo. Sabia que não o veria nunca mais a partir do momento em que ele entrasse no ônibus pra Florianópolis e eu entrasse no meu para Vitória. Mas quando vi que os dois ônibus pararam para jantar no mesmo lugar no Maranhão foi como uma traição! Eu já tinha me despedido, não queria fazer tudo de novo. De repente eu fiquei tímida, não sabia onde colocar as mãos e pra onde olhar ou como sorrir. Mas quando me dei conta de que ele estava do mesmo jeito, senti-me segura na insegurança dele e fui lá me despedir de novo. Da mesma forma como antes.

Na volta pra casa ainda trocamos alguns torpedos e algumas conversas pelo MSN. Até que passou. E acabou. Vida que segue.

É assim que fica, e assim ficará. A despedida nos serve para escolher se sofremos antes ou depois dela. Mas o sofrimento é certo. E quando nos damos conta, já somos só saudade, e nada mais.

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