27 de setembro de 2011

[sem título]

Tenho tanto medo do sofrimento que por muitas vezes evitei a felicidade. E assim eu vivi de vazio.

Mas teve um dia em que decidi ser feliz. Custasse o que custasse. O máximo que poderia acontecer seria a dor. Mas essa, meu caro, é inevitável. Está sempre com a gente e não nos abandona. Por mais que tentemos nos livrar dela, a vaca da dor está sempre com a gente, esperando o mais sutil descuido para manifestar sua presença inestimável. Ao menos é o que ela pensa.

Resolvi não dar mais ouvidos a essa companheira constante e meter os pés pelas mãos se preciso fosse. Mas nunca mais deixar de viver. Porque isso sim é a única coisa que eu, e nem você, devemos deixar de fazer. Seja qual for as consequências depois de tantas vividas.

O negócio é o seguinte, queria escrever uma crônica há semanas pra dizer que não vou te esquecer tão fácil e que nem quero deixar de pensar em você. No entanto, ao começar o texto, só consegui pensar na dor.

26 de setembro de 2011

Nonada

Nonada. Foi tudo ninharia. Um grande mal entendido por quem não quis entender nada. E os que concordaram me fazem desconfiar de seus níveis de confiança. Até que ponto? Até quando estiverem a fim e a troca os convier. Porque o ser humano tem interesses mesmo. E achar que todo mundo é santo é tão ingênuo quanto achar que ninguém vale nada. Decepciona sim, mas falta não vão fazer.

O mais triste de quando nos afastamos dos amigos (se é que podemos chamá-los assim) não é o afastamento em si, mas perceber, após um tempo, que eles não têm feito a menor falta. E foi tudo uma grande mentira? Talvez não. Foi infinito enquanto durou, ou seja lá o que isso quer dizer. Mas a chama findou. Não tem mais brasa e nem sopro que a faça voltar.

19 de setembro de 2011

Despedida

Meu jeito de lidar com a saudade é diferente. Não gosto das despedidas, por exemplo. Faço de conta que a pessoa não vai embora pra sempre. Dou um “tchau” como se fosse vê-la daqui uns dias, mesmo sabendo que será nunca mais. Assim aquele instante da despedida não é sofrido. E sei que a saudade depois será gostosa. Ficarei dias e horas inteiras rememorando momentos felizes e agradáveis que passamos juntos. Mas ao passar de um mês ou mais explodo em lágrimas descomunais que estavam reprimidas no fundo do meu ser. E choro assim por dois ou três dias. E passa. Sempre passa. Após uns meses volto a ter apenas pensamentos leves, felizes e agradáveis sobre a pessoa distante.

Em Belém do Pará, quando me despedi do Rafael fiz assim: nos beijamos e nos abraçamos forte. Ele disse: te cuida... vou sentir sua falta... gostei muito de te conhecer. Eu apenas disse o mesmo. Sabia que não o veria nunca mais a partir do momento em que ele entrasse no ônibus pra Florianópolis e eu entrasse no meu para Vitória. Mas quando vi que os dois ônibus pararam para jantar no mesmo lugar no Maranhão foi como uma traição! Eu já tinha me despedido, não queria fazer tudo de novo. De repente eu fiquei tímida, não sabia onde colocar as mãos e pra onde olhar ou como sorrir. Mas quando me dei conta de que ele estava do mesmo jeito, senti-me segura na insegurança dele e fui lá me despedir de novo. Da mesma forma como antes.

Na volta pra casa ainda trocamos alguns torpedos e algumas conversas pelo MSN. Até que passou. E acabou. Vida que segue.

É assim que fica, e assim ficará. A despedida nos serve para escolher se sofremos antes ou depois dela. Mas o sofrimento é certo. E quando nos damos conta, já somos só saudade, e nada mais.

13 de setembro de 2011

Rotina

Ele ia a sua casa com certa freqüência quinzenal. No fim de uma noite de rock os dois caminhavam juntos até a casa dela e por lá ficava. Transavam, claro. Mas tinha vez que não. E mesmo assim dormia por lá. Não perderia a viagem. Brigavam algumas vezes, é certo. Noutras eram só amor e sexo. A ponto dela passar uns dois ou três dias encantada por ele. Mas logo esquecia e pensava em outro.

Assim permaneceram por cinco meses de idas e vindas. Sexo constante. Carinhos e afagos. Via-se que ele era carente, mas não sabe (ou nunca quis) explicar porque e nem mudar a condição. Mesmo vendo que ela às vezes queria dar colo. Mas também queria ganhar o mesmo. E isso ele não dava.

Os laços foram se estreitando. Ele ficou menos fechado. Ela menos agressiva. Foram se abrindo um pro outro. Brigavam menos. Ele dormia em sua casa dias seguidos. Numa dessas noites lhe trouxe um bolo diferente. Ela pediu a receita. Ele disse que voltava para fazer. Demorou a voltar. Ela então fez bolo todos os dias para si mesma.

Mas chegou o dia (na verdade, noite) que ele veio fazer o bolo. Sentou de costas para ela, leu a receita em voz alta e ela fez sozinha. Nunca havia feito uma calda de chocolate na vida. O perguntava toda hora se estava certo, quanto de manteiga, era ou não era hora do creme de leite... Ele respondia sem olhar para o que ela fazia e como fazia e sem desgrudar os olhos de seu trabalho. Enquanto isso ela mexia a colher na panela sem parar com cara de entediada. Parecia um casal de verdade. Anos de relacionamento e sem novidades.

Nessa noite ela não lhe deu carinho. Ficou desapontada, desiludida. Não havia mais graça. Nunca mais se viram.