21 de agosto de 2011

Recordação

Hoje acordei um pouco antes das 6h da manhã. Dormi numa casa que não era a minha, e tive que acordar bem cedo porque o dono da casa viajaria logo mais, e deveria chegar cedo ao aeroporto. Chovia uma chuva fina e tímida aqui em Vitória. O bairro era Santa Lúcia, bem perto de um centro comercial nobre da cidade. O céu estava muito acinzentado, e ainda um pouco escuro devido à hora e por ser inverno. Lembrei-me de uma época parecida com essa, mas que ocorreu em 2009, no Rio de Janeiro.

Era julho ainda. Inverno e chuva. Às vezes fina, noutras bem forte. Saí de um hotel da Lapa por volta das 6h. O céu estava muito acinzentado. Caminhava com Marcelo pela Lapa em direção a praça XV para eu pegar a barca e voltar pra Niterói. Assim pude conhecer uma parte do Rio muito interessante: a intimidade no amanhecer dos moradores de rua.

Se não fosse o meu medo, minha paranóia com assalto que estampa a minha cara sendo capaz de um cego perceber que não estou à vontade com a situação, eu teria vivido o que vi naquele dia. Mas essa vontade me veio hoje ao acordar cedo e andar até um ponto de taxi para voltar pra casa. Não vi muita coisa da cidade em que moro, mas vi que naquele local não tinha moradores de rua, não na quantidade que tem no centro do Rio. Eram tão poucos, que não vi nenhum. Fora que a caminhada do local onde dormi até o ponto de táxi não durou nem um minuto. Mas foi suficiente para minha memória me fazer sorrir.

E rememorando vi novamente pessoas que trocavam de roupa atrás de pilastras de fachada de prédios públicos como se estivessem protegidos por quatro paredes. Outro que abaixava a calça e fazia suas necessidades atrás de uma parede. O acordar, bocejar, espreguiçar! Era sábado de manhã e trabalhadores já estavam nos pontos de ônibus. Não tenho muita certeza, mas creio que botecos estavam com suas portas abertas. Sim, estavam. Era cheiro de café com grandes pastéis na estufa.

Sei que olhava pra tudo isso de rabo de olho. Espreitando todos com medo de que chegassem perto de mim. Ao mesmo tempo em que eu queria fotografar a todos. Marcelo segurava minha mão e me pedia pra não ter medo. Ria por vezes da minha cara de caipira amedrontada. E eu tremia de frio e de medo também. Para esquecer o que via e me concentrar na caminhada, que nunca me pareceu tão longa, tentava imaginar que éramos apenas nós dois, na chuva, com minha sombrinha vermelha. Queria chegar logo à barca para sair do centro o mais rápido possível, mas queria estender aquele tempo o máximo que poderia, porque já era despedida.

Um comentário:

Um brasileiro disse...

olá. tudo blz? estive por aqui dando uma olhada. muito legal. apareça por la depois que aparecer por aqui. abraços.