31 de outubro de 2011

Das mentiras

Essa noite tive um sonho muito estranho: sonhei que você atualizara seu Facebook com fotos agressivas. Uma agressividade que eu já desconfiava, mas não queria acreditar que existia. Você fazia caras e bocas enquanto raspava a cabeça e com isso raspava também seu passado. Deixando todas as lembranças para trás junto com o cabelo.

Mas o que deveria ser visto como libertador (ou não?) eu vi como asqueroso. Tive medo de você. E até nojo.

Comecei a pensar em todo o seu teatro. No seu eterno “vou”, mas nunca ir. E sinceramente, eu tenho pra mim que você nunca foi. E nem vai. E quero ver por quanto tempo vai aguentar se esconder na sua toca de mentiras para disfarçar a dor da rejeição (aquela que todo mundo leva o tempo todo e a toda hora de quem quer que seja, mas você não aguenta porque é um fraco).

Olha a morena sambando, que leve. Ela não tem medo do que pode vir. Nem lamenta tempo perdido. Ela só não quis carregar tanto peso. Porque um dia cansa. Todo mundo cansa. Até você.

24 de outubro de 2011

Das verdades

Ela: Boa sorte!
Ele: Que isso, sorte é para os fracos.
Ela: Meu bem, mas você é um fraco.

17 de outubro de 2011

No ir

Fugir é a forma mais corajosa de se assumir covarde.

8 de outubro de 2011

Oferenda

Sentindo-me carregada de energia negativa, fui ao mar banhar-me num perfeito descarrego. Ao voltar de um mergulho de purificação, eis que um barco ofertado a Yemanjá e rejeitado por ela me bate na nuca.

Meses depois, ainda tenho dores no local.

4 de outubro de 2011

Infinito

Queria ser cega. Surda. Talvez nem existir. Ver a pessoa que se ama (se é amor ou não nunca se saberá, ou alguém pode dar certeza de que sentimento é esse?) se apaixonando por outra é a pior parte da existência no sofrimento que bate e faz crescer. Por que comigo? Por que tive que sair do samba e sentar num bar com meus amigos de sempre, mas que tinha tempo que via e a cadeira vaga era justo ao lado dele? Eu poderia ter ficado do outro lado... E sentei do outro lado depois. E ele foi atrás e ficou comigo. Mesmo sabendo que não poderia levar adiante. E me procurou no dia seguinte. E aí começaram os problemas. Era a ex que estava na memória. Depois era a mudança repentina pra outro estado que impedia o apego. E agora o vejo se apegando... por outra pessoa.

E mais uma vez vejo tudo se repetindo: um cara legal aparece, gosta de mim, mas nunca o suficiente pra namorar. Pois tem um problema no passado por resolver. Mal o resolve e finalmente pode se apaixonar. Mas nunca é por mim.

Essa repetição eu não quero mais. Quero o vazio da falta de sentimentos. O amor não foi feito para todos. Uns apenas o sentem. Poucos o têm de volta. E a mim só cabe o sofrimento.

2 de outubro de 2011

Esquecimento

Ontem me programei para escrever sobre o esquecimento. Sobre como é bom quando nos damos conta de que podemos esquecer alguém que parece estar tatuado na alma. Passamos a ver novas possibilidades. Outros homens me chamam atenção. Já consigo olhar pro lado e pensar: nesse eu vou.

Mas hoje, ao ver aquele que sempre quero ir, cheguei a conclusão de que não é tão fácil assim esquecer alguém. É preciso, antes da força de vontade, também a distância. Desde criança que já ouvia a tão ensaiada frase: o que os olhos não veem o coração não sente. É cafona, eu sei, mas é a mais pura verdade. Não que eu não sinta nada, mas esqueço de pensar. E assim me esqueço de sentir.

E sim, é melhor ver só uma vez a cada muito tempo. Porque aí nos acostumamos com a distância, com a separação e com o fim de papo que isso já deu tudo o que tinha que dar. A cada vez que revemos, sentimos muito mais, e muito intenso. Mas tudo o que vem forte demais vai forte demais também. Ainda bem!

E pode ser que ele tenha sido colocado na minha frente pelo destino nesta noite pra me mostrar que o texto de hoje ficaria bem melhor que o de ontem. E fim de papo que isso já deu tudo o que tinha que dar. Ou não.

27 de setembro de 2011

[sem título]

Tenho tanto medo do sofrimento que por muitas vezes evitei a felicidade. E assim eu vivi de vazio.

Mas teve um dia em que decidi ser feliz. Custasse o que custasse. O máximo que poderia acontecer seria a dor. Mas essa, meu caro, é inevitável. Está sempre com a gente e não nos abandona. Por mais que tentemos nos livrar dela, a vaca da dor está sempre com a gente, esperando o mais sutil descuido para manifestar sua presença inestimável. Ao menos é o que ela pensa.

Resolvi não dar mais ouvidos a essa companheira constante e meter os pés pelas mãos se preciso fosse. Mas nunca mais deixar de viver. Porque isso sim é a única coisa que eu, e nem você, devemos deixar de fazer. Seja qual for as consequências depois de tantas vividas.

O negócio é o seguinte, queria escrever uma crônica há semanas pra dizer que não vou te esquecer tão fácil e que nem quero deixar de pensar em você. No entanto, ao começar o texto, só consegui pensar na dor.

26 de setembro de 2011

Nonada

Nonada. Foi tudo ninharia. Um grande mal entendido por quem não quis entender nada. E os que concordaram me fazem desconfiar de seus níveis de confiança. Até que ponto? Até quando estiverem a fim e a troca os convier. Porque o ser humano tem interesses mesmo. E achar que todo mundo é santo é tão ingênuo quanto achar que ninguém vale nada. Decepciona sim, mas falta não vão fazer.

O mais triste de quando nos afastamos dos amigos (se é que podemos chamá-los assim) não é o afastamento em si, mas perceber, após um tempo, que eles não têm feito a menor falta. E foi tudo uma grande mentira? Talvez não. Foi infinito enquanto durou, ou seja lá o que isso quer dizer. Mas a chama findou. Não tem mais brasa e nem sopro que a faça voltar.

19 de setembro de 2011

Despedida

Meu jeito de lidar com a saudade é diferente. Não gosto das despedidas, por exemplo. Faço de conta que a pessoa não vai embora pra sempre. Dou um “tchau” como se fosse vê-la daqui uns dias, mesmo sabendo que será nunca mais. Assim aquele instante da despedida não é sofrido. E sei que a saudade depois será gostosa. Ficarei dias e horas inteiras rememorando momentos felizes e agradáveis que passamos juntos. Mas ao passar de um mês ou mais explodo em lágrimas descomunais que estavam reprimidas no fundo do meu ser. E choro assim por dois ou três dias. E passa. Sempre passa. Após uns meses volto a ter apenas pensamentos leves, felizes e agradáveis sobre a pessoa distante.

Em Belém do Pará, quando me despedi do Rafael fiz assim: nos beijamos e nos abraçamos forte. Ele disse: te cuida... vou sentir sua falta... gostei muito de te conhecer. Eu apenas disse o mesmo. Sabia que não o veria nunca mais a partir do momento em que ele entrasse no ônibus pra Florianópolis e eu entrasse no meu para Vitória. Mas quando vi que os dois ônibus pararam para jantar no mesmo lugar no Maranhão foi como uma traição! Eu já tinha me despedido, não queria fazer tudo de novo. De repente eu fiquei tímida, não sabia onde colocar as mãos e pra onde olhar ou como sorrir. Mas quando me dei conta de que ele estava do mesmo jeito, senti-me segura na insegurança dele e fui lá me despedir de novo. Da mesma forma como antes.

Na volta pra casa ainda trocamos alguns torpedos e algumas conversas pelo MSN. Até que passou. E acabou. Vida que segue.

É assim que fica, e assim ficará. A despedida nos serve para escolher se sofremos antes ou depois dela. Mas o sofrimento é certo. E quando nos damos conta, já somos só saudade, e nada mais.

13 de setembro de 2011

Rotina

Ele ia a sua casa com certa freqüência quinzenal. No fim de uma noite de rock os dois caminhavam juntos até a casa dela e por lá ficava. Transavam, claro. Mas tinha vez que não. E mesmo assim dormia por lá. Não perderia a viagem. Brigavam algumas vezes, é certo. Noutras eram só amor e sexo. A ponto dela passar uns dois ou três dias encantada por ele. Mas logo esquecia e pensava em outro.

Assim permaneceram por cinco meses de idas e vindas. Sexo constante. Carinhos e afagos. Via-se que ele era carente, mas não sabe (ou nunca quis) explicar porque e nem mudar a condição. Mesmo vendo que ela às vezes queria dar colo. Mas também queria ganhar o mesmo. E isso ele não dava.

Os laços foram se estreitando. Ele ficou menos fechado. Ela menos agressiva. Foram se abrindo um pro outro. Brigavam menos. Ele dormia em sua casa dias seguidos. Numa dessas noites lhe trouxe um bolo diferente. Ela pediu a receita. Ele disse que voltava para fazer. Demorou a voltar. Ela então fez bolo todos os dias para si mesma.

Mas chegou o dia (na verdade, noite) que ele veio fazer o bolo. Sentou de costas para ela, leu a receita em voz alta e ela fez sozinha. Nunca havia feito uma calda de chocolate na vida. O perguntava toda hora se estava certo, quanto de manteiga, era ou não era hora do creme de leite... Ele respondia sem olhar para o que ela fazia e como fazia e sem desgrudar os olhos de seu trabalho. Enquanto isso ela mexia a colher na panela sem parar com cara de entediada. Parecia um casal de verdade. Anos de relacionamento e sem novidades.

Nessa noite ela não lhe deu carinho. Ficou desapontada, desiludida. Não havia mais graça. Nunca mais se viram.

21 de agosto de 2011

Recordação

Hoje acordei um pouco antes das 6h da manhã. Dormi numa casa que não era a minha, e tive que acordar bem cedo porque o dono da casa viajaria logo mais, e deveria chegar cedo ao aeroporto. Chovia uma chuva fina e tímida aqui em Vitória. O bairro era Santa Lúcia, bem perto de um centro comercial nobre da cidade. O céu estava muito acinzentado, e ainda um pouco escuro devido à hora e por ser inverno. Lembrei-me de uma época parecida com essa, mas que ocorreu em 2009, no Rio de Janeiro.

Era julho ainda. Inverno e chuva. Às vezes fina, noutras bem forte. Saí de um hotel da Lapa por volta das 6h. O céu estava muito acinzentado. Caminhava com Marcelo pela Lapa em direção a praça XV para eu pegar a barca e voltar pra Niterói. Assim pude conhecer uma parte do Rio muito interessante: a intimidade no amanhecer dos moradores de rua.

Se não fosse o meu medo, minha paranóia com assalto que estampa a minha cara sendo capaz de um cego perceber que não estou à vontade com a situação, eu teria vivido o que vi naquele dia. Mas essa vontade me veio hoje ao acordar cedo e andar até um ponto de taxi para voltar pra casa. Não vi muita coisa da cidade em que moro, mas vi que naquele local não tinha moradores de rua, não na quantidade que tem no centro do Rio. Eram tão poucos, que não vi nenhum. Fora que a caminhada do local onde dormi até o ponto de táxi não durou nem um minuto. Mas foi suficiente para minha memória me fazer sorrir.

E rememorando vi novamente pessoas que trocavam de roupa atrás de pilastras de fachada de prédios públicos como se estivessem protegidos por quatro paredes. Outro que abaixava a calça e fazia suas necessidades atrás de uma parede. O acordar, bocejar, espreguiçar! Era sábado de manhã e trabalhadores já estavam nos pontos de ônibus. Não tenho muita certeza, mas creio que botecos estavam com suas portas abertas. Sim, estavam. Era cheiro de café com grandes pastéis na estufa.

Sei que olhava pra tudo isso de rabo de olho. Espreitando todos com medo de que chegassem perto de mim. Ao mesmo tempo em que eu queria fotografar a todos. Marcelo segurava minha mão e me pedia pra não ter medo. Ria por vezes da minha cara de caipira amedrontada. E eu tremia de frio e de medo também. Para esquecer o que via e me concentrar na caminhada, que nunca me pareceu tão longa, tentava imaginar que éramos apenas nós dois, na chuva, com minha sombrinha vermelha. Queria chegar logo à barca para sair do centro o mais rápido possível, mas queria estender aquele tempo o máximo que poderia, porque já era despedida.

14 de agosto de 2011

Aos canalhas

Continuo preferindo os canalhas. Porque por mais que eu vá sofrer depois, esse sofrimento nunca é uma surpresa, é sempre uma certeza. E eu sei onde estou pisando. Sei onde estou me metendo. E, em caso de falha, o problema é meu.

Os caras legais costumam ter problemas. Por serem legais, já estão num relacionamento, claro! No máximo, estão saindo de um relacionamento ou então acabaram um há pouco tempo. E por isso estão completamente perdidos.

Ao te conhecer o cara legal faz um sem número de elogios. Tudo o que você acredita que merece ouvir, mas ninguém nunca teve a bondade/coragem/capacidade de dizer. Depois do cara diz, com toda a sinceridade do mundo, que você é maravilhosa, que vocês poderiam viver uma história linda, mas que ele não está pronto para isso agora.

Vai tomar no meio do cu então, porra!

Se não está pronto pra merda nenhuma ficasse em casa curtindo sua fossa. E se precisasse tanto assim sair pra se distrair, que não se envolvesse com ninguém.

Não conhecemos o passado dos outros. Eu não conheço o seu e você não conhece o meu. Portanto, se você já está mexido, não mexe comigo. É impossível prever as proporções das conseqüências. Porque gente é bicho muito estranho.

E é por detestar perder o controle da situação que eu vou continuar preferindo os canalhas. Até mesmo eles merecem um pouco de afeto.

3 de julho de 2011

Fala, menina, fala

Fala, menina, fala. Que seu silêncio dói-me o peito pior que um soco. Não diz nada e desvia o olhar para não dar bandeira. E de quê? Sai de perto para não ser tocada. E por quê?

Chora, menina, chora. Que segurar tanta dor sozinha não dá em nada. Chora, que é a melhor forma de se aliviar.

E por que me maltrata tanto? Por que não me diz o que sente? Pois saiba que também confundo meus sentimentos e também não sei o que quero. E isso também me dói.

Saiba ainda que tem mais pessoas no mundo gostando da mesma bebida que você e eu e querendo beber no mesmo cálice.

Também quero todo esse carinho que me oferecem. E não vejo erro em aceitá-lo.

Fala, menina, fala. Pois se me pedir, não faço!

1 de julho de 2011

Maria Chiozzi

“Vaga em república feminina”. E foi assim que ela me apareceu. Na verdade, foi uma colega de sua sala, brasileira, que me ligou dizendo que uma aluna de intercâmbio, italiana, cursando engenharia civil, procurava um lugar pra morar. Pensei: italiana deve ser melhor que americana, né?
No dia seguinte a sujeita, desleixadamente vestida, sorria pra mim do lado de fora de casa. E aqui me enchia de perguntas num portuliano tenso: quanto custa? Se pode fazer uma festa? Se pode trazer os amigos? Se pode fumar? Você costuma sair? Qual a sua idade? Qual seu signo? E dava uma festa a cada resposta minha.
No primeiro dia a comunicação foi um pouco difícil. Mais pra ela que pra mim. Digamos que eu fale um pouco rápido. Depois já nos entendíamos monossilabicamente. Basta dizer: mexicano, açaí, bombom de morango, churrasquinho, pracinha, big Mac, subir a montanha, rua da lama, samba e rock na Ufes.
A organização da casa deu lugar a fios de cabelo pelo chão, cinzas de cigarro e uma mesa da cozinha que não sei nem como explicar. E é fácil identificar, pelos papéis na sala, quando ela terá uma prova.
Trouxe-me perfumes importados, apresenta-me maquiagens e me dá chocolates de vários cantos da Europa. Foi ela quem me fez o primeiro guacamole que comi, sem saber que levava o abacate tão detestado por mim. E nunca mais parei de comer. Ela me engorda muito também, porque come demais e eu vou na mesma onda.
Além dos importados trouxe-me também amigos: muitos engenheiros, uns sambistas que cantam muito bem e batucam um pouco mal, mas se divertem muito, e uns dois abestadios.
Aqui em casa é festa todo dia, risadas a toda hora, muita amizade e cumplicidade. Quando está brava com algo não fala com ninguém. Isola-se apenas. E não adianta perguntar o que foi.
A bagunça da casa eu relevo. Arruma-se. E nem fico puta. Porque logo, antes que eu me dê conta, isso acaba. Vou olhar pra pia sempre limpa e me dar conta de que ela foi pra Itália.
E eu ficarei aqui, com uma casa arrumada, silenciosa e sem mais risadas.

20 de junho de 2011

Diálogo de 12 de junho

– Mas talvez essas pessoas não sejam tão ruins quanto parecem ser. Elas namoram com outras, só comigo que não.
(Risos)
– É que na verdade encaixar com uma pessoa é muito difícil. Caso contrário estaríamos sempre namorando. É porque não encontramos A pessoa que continuamos solteiros.
– É verdade.
– Fora esses caras que namoram só pra dizer que estão com alguém. Nem gostam da pessoa, mas também não conseguem ficar sozinhos.
– Tenho uma amiga que é assim. Cada dia com um namorado diferente, e não se sente química alguma entre eles...
– O complicado é que não se encontra mais pessoas pra namorar hoje em dia. Menos ainda aqui.
– Eu achava que tinha um problema de estado, que no ES nunca iria encontrar uma pessoa interessante. Mas hoje vejo que isso é em qualquer lugar.
– Mas você ta sempre ficando com alguém, não é?
– Sim, e às vezes com a intenção de algo mais, mas eles me deixam e namoram com outra pessoa...
– Mas será que você iria querer namorar com quem você fica?
– Sei lá, queria só uma pessoa pra ocupar os domingos vazios.
– Mas esse tipo de relacionamento não existe.
– Como assim não?
– Porque vai chegar um momento que uma parte não vai se preocupar só com os domingos. Alguém, ou o casal, vai querer se encontrar nos outros dias da semana. E aí começarão as cobranças. Namoro é sempre assim.
– É verdade... Então não sei o que quero. Antes queria só uma pessoa fixa pra transar. Hoje quero afeto mútuo também.
– É o que todo mundo quer, mas não sempre, e por isso não estamos juntos sempre.
– Queria ser mais moderna, mas às vezes me vejo muito careta.
– Como assim?
– Queria ter vários homens, mas não gostaria que o cara que está comigo tivesse várias mulheres. No entanto só ocorre o contrário: fico com um cara só, que está comigo e com outra ou outras.
– Seria perfeito todo mundo com todo mundo.
– Mas não é todo mundo que aceita isso. Eu não aceito.
– É uma pena, né? (Risos).
– A verdade é que estamos todos sempre à procura. Mesmo quando já encontramos.
– Não entendi.
– Estamos todos procurando alguém, sempre! Encontramos uma pessoa bacana e ficamos com ela, mas não vamos deixar de ficar com outras porque encontramos uma que já nos satisfaz.
– É verdade, porque o sexo casual faz isso. Nos deixa com vontade de fazer cada vez mais sexo casual, sempre com pessoas diferentes.
– Somos assim com tudo, e com as pessoas também. Trocamos de carro, celular, computador, todos em perfeito estado de funcionamento, atendendo às nossas necessidades e, de certa forma, ainda novos. Mas fazemos isso porque um lançamento acaba de chegar no mercado.
– Descartamos tudo com tanta banalização, não é? Até mesmos as pessoas.
– Falando assim parece cruel, mas é tão verdade.
(Silêncio)
– Aí, já mostrei minha nova música?

27 de março de 2011

A chateação dos jogos de sedução

Tô a fim de namorar. Cansei de pegação. Mas o que me irrita são os tais jogos de sedução. Não basta querer namorar e encontrar uma pessoa bacana pra isso. Você tem que estar disposto a entrar numa armadilha infame onde um se exibe pro outro mostrando quem é capaz de ser mais difícil e interessante. Quem é capaz de fazer mais falta pro outro e ver quem vai ligar por último. Sendo que deveria ser o contrário.

A principal regra do jogo é jamais demonstrar o que sente. A pessoa não pode saber, em hipótese alguma, que você está a fim. Ora, se estou com a pessoa, é claro que estou a fim! Isso é óbvio. O triste é ter que fingir que não me importo com o dia de amanhã, que se acaso não o vir mais, não terá problema algum. Afinal o momento está bom demais e ninguém precisa de um segundo momento tão bom quanto ou ainda melhor.

Não ligar, jamais! Porque quem liga já deu pinta de que gosta e isso só atrapalha. Onde já se viu querer ficar com uma pessoa que demonstra que gosta de mim?! Bom mesmo é o mais difícil, aquele que não liga, o que não te faz um elogio sequer e que só te chama pra sair na sexta á noite, provavelmente porque ninguém mais quis sair com ele ou porque você é a mais fácil mesmo.

Pra quê complicar o que é patético de fácil? Quem gosta tem que demonstrar o que sente sem medo do que vai ouvir depois. Até porque, devido ao comportamento idiota das pessoas atualmente, pra eu saber se alguém gosta de mim tem que me dizer. Adivinhar é complicado e viver de suposições é muito chato. E amar é muito mais gostoso.

Conheci vários namorados em potencial, mas todos moravam longe. Em estados bem distantes do meu. E naquela situação, na certeza de que não nos veríamos mais porque eu estava de passagem por suas cidades, nos entregávamos à sinceridade sem medo de ser feliz. Já aqui, no meu estado, na minha cidade, não conheço namorado em potencial e quando acho que pode ser que role, assim quem sabe e por que não, a pessoa dá uma de uó e some ao se dar conta que a partir dali a coisa fica séria. Quando digo que o ideal é dizer o que sente não me refiro a gostar apenas, mas a não gostar também. Custa tanto dizer que não tá a fim? Ninguém morre por conta de um fora.

Não sei jogar, não sei deixar rolar, só sei deixar pra lá. Paciência nunca foi meu forte. Portanto, se algum namorado em potencial, ou um mero "pode ser que role assim quem sabe e por que não", achar que pode dar certo, por favor, não me faça perder tempo, coisa que depois do dinheiro, é o que eu mais detesto perder. Fala logo de uma vez. Não enrola, enrosca que é melhor.

15 de março de 2011

[sem título]

Coloquei a culpa na minha falta de sentimentos para a minha falta de assunto. E agora, que tô transbordando amor, não consigo escrever.

Tô com tanto tesão pra gozar, que me falta tesão pra criar. Acho que desgostei de escrever. Talvez eu tenha gostado tanto de fazer outras coisas, que desapeguei dos feitos antigos.

Creio já ter mais de um ano que não escrevo crônica.

Não, exagerei. Ano passado teve até concurso.

A verdade é que tô apaixonada e não sei como dizer isso. Porque travei até meus pensamentos por gostar de mais de uma pessoa que eu sabia que não gostava de mim. Acho até que um dia gostou, mas aí eu dei uma de macho bem resolvido e espantei o cara fazendo com que ele fosse cachorro outra vez.

E eu só queria amor.

Cansei desse papo de esperar pra ver no que vai dar, sendo que preciso uma decisão rápida pra saber se continuo dando.

No mais, fico aqui, as 02:42 da madrugada, esperando o sono chegar para o dia mudar e tudo melhorar para eu ver no que vai dar.